O que se sabe sobre a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, no Rio de Janeiro

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(Foto: Reprodução)
Os peritos do IML (Instituto Médico Legal) concluíram que Henry tinha hematomas nos membros superiores, hematomas e sangue no abdômen, infiltração hemorrágica no crânio, edemas (inchaço por excesso de líquido) no cérebro, contusão no rim e trauma com contusão no pulmão (Foto: Reprodução)
  • Polícia investiga morte de Henry Borel, de apenas 4 anos, encontrado morto no chão do quarto, no Rio de Janeiro

  • De acordo com laudo da necropsia, Henry chegou morto ao hospital e as causas do óbito foram lesões no fígado, produzidas por uma ação violenta

  • Mãe e padrastro, que cuidavam da criança, alegam que estavam dormindo ao quarto ao lado; advogado do pai disse que estuda pedir a exumação do corpo

A polícia do Rio de Janeiro investiga a morte do menino Henry Borel Medeiros, de apenas 4 anos, enteado do vereador Jairo Souza Santos (Solidariedade), conhecido como Dr. Jairinho, e filho de sua namorada, a professora Monique Medeiros. 

O caso ocorreu na madrugada do dia 8 de março, na Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com a mãe e o entedeado, o menino foi encontrado caído no chão em um dos quartos do apartamento e levada às pressas ao hospital.

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O pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, disse em entrevista ao RJ2 que está separado da mãe do menino e que esteve com o filho no fim de semana anterior à morte dele.

No sábado (6) foram a uma festa e no domingo (7) à noite o deixou de volta na casa na mãe, na Barra da Tijuca, onde a criança chorou muito, como de costume. Horas depois, de madrugada, Leniel recebeu uma ligação de Monique dizendo que ela e Dr. Jairinho estavam levando Henry ao Hospital Barra D'Or.

De acordo com laudo da necropsia obtido pela TV Globo, a criança já chegou morta ao hospital e as causas do óbito foram "hemorragia interna" e "laceração hepática", que são lesões no fígado, produzidas por uma "ação contundente", ou seja violenta.

Os peritos do IML (Instituto Médico Legal) concluíram que Henry tinha hematomas nos membros superiores, hematomas e sangue no abdômen, infiltração hemorrágica no crânio, edemas (inchaço por excesso de líquido) no cérebro, contusão no rim e trauma com contusão no pulmão. 

  • Com quem Henry estava no dia da morte?

  • O que a mãe e o padrasto alegaram?

  • Qual foi a causa da morte de Henry?

  • Henry pode ter se machucado assim ao cair da cama?

  • O que a polícia disse?

A seguir, veja o que se sabe do caso.

O pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, disse em entrevista ao RJ2 que está separado da mãe do menino e que esteve com o filho no fim de semana anterior à morte dele (Foto: Reprodução/redes sociais)
O pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, disse em entrevista ao RJ2 que está separado da mãe do menino e que esteve com o filho no fim de semana anterior à morte dele (Foto: Reprodução/redes sociais)

Com quem Henry estava no dia da morte?

Antes de devolver o filho para a ex, Leniel e Monique trocaram mensagens. Os dois então combinaram a hora de o menino voltar para casa da mãe. Monique ainda volta a escrever: "Só não aguento o choro para não vir. Me desestabiliza totalmente. Fico muito, muito triste."

No sábado (6), Henry e o pai Leniel foram a uma festa e no domingo (7) à noite o deixou de volta na casa na mãe, na Barra da Tijuca, onde a criança chorou muito, como de costume. Horas depois, de madrugada, Leniel recebeu uma ligação de Monique dizendo que ela e Dr. Jairinho estavam levando Henry ao Hospital Barra D'Or.

Quando chegou ao hospital, o pai relatou que viu "os médicos em cima do coração do menino" e que perguntou à mãe o que havia acontecido. 

"Falaram que houve um barulho, foram lá ver o que estava acontecendo, e quando chegou lá o menino estava revirando o olho com dificuldade de respirar, [como se o menino estivesse] tendo um ataque cardíaco", afirmou ele, que depois foi orientado a procurar a polícia e pedir o laudo pericial. 

O advogado Leonardo Barreto, que defende Leniel Borel de Almeida Jr., disse que o pai estuda pedir a exumação do corpo do menino Henry.

“Assim mostrou o primeiro laudo. No complemento, não acrescentou muito. A polícia está diante de um acidente ou crime. Então, tem que ter uma junta de peritos para fazer novos exames. A exumação do corpo é uma saída. Assim como fazer a perícia no quarto onde o menino dormiu para medir probabilidade de queda”, analisou.

O que a mãe e o padrasto alegaram

O padrasto e a mãe do menino prestaram depoimento por cerca de 12 horas entre a tarde de quarta (17) e a madrugada de quinta (18). Falaram separadamente, como testemunhas, e não quiseram conversar com jornalistas na entrada nem na saída da delegacia. 

Eles eram os únicos no apartamento quando o incidente aconteceu. Imagens obtidas pela Globo mostram que no dia anterior o menino estava bem, sem lesões aparentes, em um shopping onde esteve com o pai e quando chegou ao condomínio da mãe. 

O vereador Dr. Jairinho afirmou estar "triste", "sem chão" e "suportando a dor graças ao apoio da família e dos amigos". O parlamentar descreveu o enteado como "um menino incrível e doce". 

"As autoridades estão apurando os fatos e vamos ajudar a entender o que aconteceu. Toda informação será relevante. Por isso, acho prudente primeiro dizer na delegacia a dinâmica dos fatos, até mesmo para não atrapalhar os trabalhos desenvolvidos", escreveu ele antes de depor. Dr. Jairinho, 43, é médico e foi eleito vereador do Rio pela primeira vez em 2004, aos 27 anos, pelo PSC. 

No depoimento na delegacia, a mãe afirmou que acordou por volta das 3h30 com o barulho da TV ligada e foi ver o filho. Monique disse que o encontrou Henry desacordado no chão do quarto do casal após ter passado mal. Ela disse que estava com o namorado em outro cômodo vendo televisão.

Monique disse à polícia que acredita que Henry acordou, ficou em pé em cima da cama deles e se desequilibrou ou até tropeçou no encosto da poltrona — e daí caiu no chão.

A causa da morte de Henry

O IML concluiu que Henry tinha hematomas nos membros superiores, hematomas e sangue no abdômen, infiltração hemorrágica no crânio, edemas (inchaço por excesso de líquido) no cérebro, contusão no rim e trauma com contusão no pulmão.

De acordo com laudo da necropsia obtido pela TV Globo, as causas do óbito foram "hemorragia interna" e "laceração hepática", que são lesões no fígado, produzidas por uma "ação contundente", ou seja violenta.

Henry pode ter se machucado assim ao cair da cama?

Segundo perítos ouvidos pelo G1, a resposta é não. “Uma queda de uma altura baixa é pouco provável que esteja na origem dessas lesões traumáticas”, afirmou perito legista Carlos Durão. “Nós observamos esses tipos de lesões em acidentes de trânsito, com muito mais energia”.

Já Talvane de Moraes, também ouvida pelo jornal, acrescenta que há lesões em áreas diversas do corpo, “o que uma queda não proporcionaria”.

“Pode haver equimoses [manchas], mas em regiões onde o corpo colidiu com o chão. Acho difícil colidir cabeça, fígado, pulmão, rim e abdômen [de uma vez só], explicou.

O que diz a polícia

A Polícia Civil informou que pretende ouvir mais testemunhas e fazer novas diligências para tentar esclarecer o que houve com o menino Henry Borel, de 4 anos. Está previsto, inclusive, o depoimento do perito do Instituto Médico-Legal (IML) que produziu o laudo de necropsia da criança.

Segundo a polícia, uma perícia foi feita na tarde do mesmo dia no apartamento de Monique e Dr. Jairinho. Mas, quando os peritos chegaram, uma funcionária do casal já tinha feito a limpeza do local.

O casal prestou depoimento por 12 horas na 16ª DP. Eles deixaram a delegacia às 2h30 da quinta (18) sem falar com a imprensa.

A polícia também recolheu imagens de câmeras de segurança mostrando que Henry chegou bem ao condomínio onde moram a mãe e o padrasto. Ele foi levado até lá pelo pai.

A Polícia Civil ainda informou apenas que "as investigações estão a cargo da 16ª DP (Barra da Tijuca) e correm sob sigilo".

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