Coronavírus: o que você precisa saber para mandar seu filho à escola

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Quais as medidas preventivas da escola? Com quem a criança convive? Essas e outras perguntas devem ser consideradas. Foto: Getty Images

Por Ava Freitas

Dependendo da cidade onde mora, você pode estar, neste momento, tendo de decidir se manda ou não os filhos para as aulas presenciais da escola. No meio de uma pandemia que já matou mais de 117 mil pessoas, essa não é uma decisão fácil. Enquanto vacina e tratamento não vêm, a informação é a melhor arma contra o coronavírus.

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“Ainda estamos construindo conhecimento sobre o novo coronavírus, mas o que se sabe é que a maioria das crianças não têm sintomas da covid 19. E, quando têm a doença, elas costumam apresentar quadros mais leves”, afirma o médico Fausto Flor Carvalho, chefe do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SBSP).

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Mesmo com esse dado em mente – a da não gravidade da doença, em geral –, a escolha segue delicada e cercada de senões. Com base em uma entrevista com Carvalho, juntamos informações e orientações para, ao menos, clarear o caminho para pais e responsáveis.

Diálogo franco com a escola

Para tomarem a decisão de mandar ou não o filho para a escola, os pais precisam estar informados sobre as medidas de prevenção que a instituição de ensino tomará. Higienização frequente dos espaços, disponibilidade de álcool gel e de pias para limpeza das mãos e classes com número reduzido de alunos são fundamentais.

A escola pode ainda tomar ações extras como, se houver possibilidade, privilegiar aulas em espaços abertos e incentivar os alunos a lavar as mãos. “Na volta às aulas presenciais na Coreia do Sul, a cada duas horas, interrompia-se o trabalho para que os alunos lavassem as mãos e trocassem a máscara”, conta Carvalho.

Professores muito bem orientados

Na comunicação dos pais com a escola, é importante questionar como os professores estão sendo preparados para o retorno presencial. Que tipo de orientações receberam? Quais os recursos que eles terão para minimizar os riscos para os alunos e para eles mesmos?

Uso obrigatório de máscara

O acessório tem de ser de uso obrigatório tanto por alunos quanto por funcionários, durante todo o tempo em que permanecerem na escola. Mas é importante que os pais saibam que as crianças menores de 7 anos têm dificuldade de permanecer de máscara e, mesmo quando estão com ela, de usá-la da maneira correta. “Os maiores de 7 já são mais capazes de compreender a importância e de utilizá-la da forma certa”, diz o médico.

Aferição de temperatura

Muitas escolas – privadas, em geral – têm divulgado que adotarão a medição da temperatura na entrada. Mas é importante que os pais saibam que ela não é garantia que ninguém infectado entrará na instituição. Como dito acima, a maioria das crianças não apresentam sintomas quando estão com o coronavírus. Estudo da renomada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, analisou dados de 192 pacientes, com idades entre zero e 22 anos. Desses, 49 testaram positivo para coronavírus, mas apenas 25 apresentaram febre

Estágio da pandemia localmente

A pandemia do novo coronavírus está em diferentes estágios nos estados – com variações mesmo dentro deles. Por isso é importante verificar como está a curva de contágio onde você mora, antes de se decidir, aconselha o pediatra Fausto Flor Carvalho.

Com quem a criança mora

Saber que as crianças apresentam quadros leves da covid-19 é um alívio para qualquer mãe e pai. Mas, antes de se fiar nessa informação, é importante avaliar com quem esse estudante convive de perto. Mora ou fica com os avós para os pais trabalharem? Há na casa pessoas com alguma doença como câncer, hipertensão ou diabetes? Se sim, é melhor repensar a decisão de enviar o filho para as aulas presenciais.

De acordo com estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), se todas as crianças brasileiras voltassem às aulas, elas teriam contato com mais de 2 milhões de pessoas com algum tipo de comorbidade.

Também há que se considerar o estado de saúde do próprio estudante. “Para crianças com problemas de imunidade, por exemplo, o retorno à aula presencial não é indicado”, comenta Carvalho. Sobre crianças asmáticas, ainda não há consenso se estariam mais dispostas a formas mais graves da covid-19. “Há estudos que apontam que sim e outros que não”, diz o pediatra.

Como está a saúde mental

Como está o ânimo do seu filho? Ele anda mais ansioso ou triste, sem ânimo para as coisas que antes gostava? “Estudos europeus constataram um aumento de 30% na procura por ajuda psicológica para crianças e adolescentes”, afirma Carvalho. Ao colocar na balança os prós e os contras das aulas presenciais, vale considerar a saúde emocional do seu filho.

O pediatra ainda recomenda considerar a vontade da criança. “Tem de avaliar o comportamento do filho. Há aqueles que terão muito medo de voltar e isso deve ser levado em consideração.”

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