‘O racismo não tem perdão’, diz jovem negro acusado de furtar guarda-chuva na Zona Sul

O estudante de Nutrição Fábio Leandro Souza do Nascimento, de 25 anos, que teria sido vítima de racismo após ser acusado por uma mulher de furtar um guarda-chuvas, no último sábado, no Teatro Ipanema, na Zona Sul do Rio, fez um registro de ocorrência do caso na 14ª DP (Leblon), no fim da noite desta segunda-feira, dia 13. Acompanhado de uma advogada e da namorada, a atriz Marina Bastos de Souza Penetra, também de 25 anos, o rapaz relatou aos investigadores o que aconteceu após a pré-estreia da peça “Nem Todo Filho Vinga”, da Companhia Cria do Beco, que fala sobre desigualdade social. Antes fazer o registro, o rapaz publicou um vídeo nas redes sociais relatando que havia sofrido racismo. O caso será investigado como injúria por preconceito.

Após o registro de ocorrência, Fábio Leandro disse ao EXTRA que pretende processar a mulher que o acusou te ter furtado o guarda-chuvas.

— Fui bem recebido na delegacia e contei o que aconteceu. Agora, vamos aguardar as investigações. O meu sentimento é de raiva, tristeza. O racismo não tem perdão. Ela cometeu um crime e precisa ser punida. Vou processá-la — disse o universitário após deixar a delegacia.

De acordo com a advogada Michelle Marcondes Caram, que faz a defesa de Fábio, o rapaz apresentou as filmagens da confusão e indicou testemunhas para ajudar na investigação.

—Conforme narrado por ele, o policial enquadrou o caso por injúria por preconceito, por ser em um teatro lotado, com várias pessoas ao redor, e o meu cliente sentir-se constrangido por ela se direcionar apenas a ele, acusando-o de ter subtraído um bem de uma outra pessoa — disse a advogada.

Agora, a 14ª DP (Leblon) vai intimar testemunhas envolvidas no caso. Entre elas, a mulher que teria acusado Fábio de furtar o objeto.

— Ele alega que foi vítima de racismo. Então, registramos o caso por injúria por preconceito. Vamos identificar e intimar todas as outras partes: a mulher que teria o acusado de roubar o guarda-chuvas, bem como os produtores da peça que o ajudaram e outas pessoas que assistiam o espetáculo — destacou a delegada Daniela Campos Rodriguez Terra, titular da 14ª DP.

— Assisti a um vídeo que está circulando na internet que seria do caso. As imagens são estarrecedoras.

Em nota, a Secretaria municipal de Cultura disse que “lamenta o ocorrido no Teatro Ipanema” e “reconhece o quão significativo é isso acontecer justamente numa peça de um grupo vindo da Maré e que trate de temas como racismo e violência”.

Ainda de acordo com o comunicado, a pasta destacou que “o fato, que deverá ser apurado pelas autoridades competentes, só reforça a importância da prática de uma gestão democrática que preze por políticas afirmativas e antirracistas e ainda possibilite a circulação de grupos sociais e artísticos que historicamente tiveram acesso negado a estes espaços”.

Por fim, a secretaria disse que “reafirma o compromisso de uma gestão pública que integre a cidade para que pessoas negras possam circular livremente por espaços públicos e privados sem serem afetadas pelo racismo”.

O GLOBO não conseguiu localizar a mulher envolvida no caso.

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