O Rei e eu: como as canções de Roberto Carlos têm ajudado Alexandre Borges no tratamento de Alzheimer da mãe

Silvio Essinger
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RIO - Em participação recente no programa “Altas horas”, de Serginho Groisman, o ator Alexandre Borges fez um agradecimento especial a Roberto Carlos, por suas canções tanto que o têm ajudado numa missão muito especial: a de cuidar da mãe, Rosalina Borges, a Dona Rosa, de 82 anos, que tem mal de Alzheimer em estado avançado. Em depoimento ao GLOBO, Alexandre falou do tratamento e de suas histórias com o Rei, que completa 80 anos nesta segunda-feira:

“Todo Natal eu dava disco do Roberto Carlos de presente para a minha mãe, dos meus 12 aos meus 18 anos. Assim, todas as músicas que eu escutei com ela na quarentena (há dois anos, logo que foi identificada a doença, Alexandre foi morar com há mãe em Santos, onde nasceu) foram especiais para ela e para mim – de repente, aos 55 anos, eu me vi criança de novo. ‘A montanha’, ‘O portão”, ‘Amada amante’, ‘Lady Laura’, as canções da jovem guarda... escutamos todas elas.”

“No Alhzeimer, essas músicas servem muito bem para essa geração da minha mãe, que está com 80 anos e que cresceu com o Roberto, já que ele era muito novinho no começo da carreira. Quando minha mãe escuta essas músicas, está ali a vida de dela, de mulher com 20, 22 anos. Não tem erro: ela está no sofá, parada, e aí eu a chamo para dançar Roberto. Boto a música no YouTube, ela lembra e começa a cantar. Eu vou cantando e ela começa a lembrar do restante da letra, é uma fisioterapia mental. E ao mesmo tempo em que canta, ela dança na cadeira de rodas, sacode o ombro, vai para a frente, vai para trás e assim eu danço com ela, aproveito para fazê-la se movimentar. Quer música mais gostosa para se dançar do que ‘Jesus Cristo’?”

“Quando eu tinha 14 anos, o meu pai (Tanah Correa), que é diretor de teatro, montou com o Roberto uma peça chamada ‘Sonho de Alice’ (estrelada pela então esposa do cantor, Myrian Rios). Nessa época, eu fui para o Rio fazer (o musical) ‘Saltimbancos’, e fiquei morando com ele. Um dia eu estou lá, na estreia do ‘Sonho de Alice’ e a Myrian diz: ‘O Roberto vem aí’. Ele tinha feito as músicas da peça com o meu pai. Roberto chegou, agradeceu todo mundo, abriu champanhe e foi batendo na testa de um por um com a taça. Quando ele me tocou, foi uma emoção indescritível. Eu escutava o cara desde que tinha nove anos de idade, eu cresci escutando ele!”

“Só voltei a encontrar Roberto Carlos na Globo, com a Júlia (Lemmertz, atriz, sua ex-mulher), num dos seus especiais de fim de ano. E aí foi uma festa, porque contei que era filho do Tanah Correa. O Roberto é povo, ele era pobre, ele sabe o que é o amor simples, direto. Ele ficou milionário mas não perdeu a essência. Todo mundo que batalhou para subir na vida sabe falar com o outro. Só quem ganhou herança ou vive com o dinheiro dos outros é que às vezes quer dar conselho. Quem foi pobre nunca esquece.”