O segundo turno e a arte da política

Lula e Jair Bolsonaro na disputa do 2º turno das eleições de 2022. (Foto: Yahoo Notícias/Editoria de Arte)
Lula e Jair Bolsonaro na disputa do 2º turno das eleições de 2022. (Foto: Yahoo Notícias/Editoria de Arte)

As pesquisas erraram. E erraram feio. Não há como fazer mea culpa e dizer que acertaram os votos de Lula. Meio a meio: podiam chutar ou podiam fazer uma análise mais fria dos números. Chutaram errado.

Quem acompanhou aqui pelo Yahoo viu nosso ponto reiteradas vezes falando que haveria segundo turno. E, como ninguém escuta nada e a gente precisa repetir, irei repetir. Historicamente, quando dois personagens políticos muito fortes entram em disputa, a tendência é da “batalha” ir até o final.

Se você der espaço para o inimigo lutar, ele não vê a batalha como algo mortal e fica descuidado, mas se você encurralar seu adversário e mostrar que ele está sem saída, ele vai lutar até a morte. Sun Tzu, amigos.

Numa eleição com o mito Lula e o Bolsomito o corpo social, ou a militância, é muito forte. Dificilmente a disputa encerraria no segundo turno.

E quem apostou que o Brasil estava cansado do conservadorismo de Bolsonaro e de suas falar verborrágicas não leu Coronelismo, Enxada e Voto e nem leu nossas colunas no Yahoo falando que o Congresso é reflexo da nossa casa e nosso congresso é o mais conservador da história.

Portanto, apostar numa baixa do bolsonarismo quando Não existe nenhum outro representante da direita que lidere as massas é cegar para os dados frios da Ciência Política.

As pesquisas erraram e erraram feio em São Paulo. Apostaram num Haddad que não conseguiu se reeleger para a prefeitura da capital e negligenciaram as cidades de pequeno e médio porte bolsonaristas. Arrisco dizer que, se Garcia e Tarcisio não tivessem dividido os votos da direita, essa mesma direita venceria em primeiro turno.

São Paulo replicou a disputa nacional e não interessa se Tarcisio não sabe onde vota. O estado é conservador ou já esquecemos os motivos pelos quais Alckmin está na chapa de Lula?

Apoios importantes se configuram nessa semana: Romeu Zema, absoluto em Minhas Gerais, declara seu apoio ao que ele chamou de “ruidoso” Bolsonaro, dando esperanças à uma campanha que, no poderoso sudeste, só perdeu em Minas.

Contrariou todas as pesquisas e levou Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Em Minas Bolsonaro ainda tem Nikolas Ferreira, um jovem deputado de 26 anos, que conseguiu o maior número de votos para a Câmara dos Deputados. Se elegeu descreditando a vacina contra covid-19.

Se Lula quiser virar vai ter que descer do salto alto e parar com essas brincadeiras de “as 13 capas de livros vermelhas” e pensar que existe um eleitor moderado de direita que não é a favor da morte, não é fascista, mas é conservador nos costumes e não acredita que Lula vá olhar para eles.

E existem 30 milhões de pessoas que não votaram e estão completamente esquecidas pelas campanhas. Trinta milhões.

Eduardo Leite, “aquele”, disse há alguns anos uma frase que não vou esquecer, mas que aparentemente ele esqueceu: “o desafio nesses tempos é ser ponderado”.

Entramos todos nessa discussão do bem contra o mal, do opositor visto como inimigo a ser aniquilado que fechamos os olhos para um setor da sociedade que se sentiu inibido em entrar nessa disputa e que simplesmente não concorda com A ou B. O centro.

Caímos numa narrativa que nos cegou. E, julgamos tanto aqueles que consomem notícias apenas para corroborar seu ponto de vista e fizemos o mesmo. Saudade do Eduardo Leite Ponderado. Que Deus olhe por nós, porque nossos políticos cegaram.