O transtorno mental de procuradores

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Precisamos entender o que leva um procurador da República a ter uma ideia tão distorcida das mulheres e do sexo. E isso no século XXI. Não basta gritar, denunciar, advertir e punir. Para chegar aonde chegou, Anderson Vagner Gois dos Santos deve ter estudado muito. Formou-se em Direito. É procurador em São Paulo, não nos confins brasileiros. Foi aprovado em concurso público rigoroso, que exige qualificação técnica e jurídica. Como pode delirar tanto?

Vamos lembrar o texto que ele cometeu em e-mail para colegas procuradores, homens e mulheres. Um resumo. Feministas são recalcadas. Ignorantes. Elas sofrem de transtorno mental. E não entendem que, quando se casam, passam a ter uma obrigação sexual com o marido. Se não dão para o homem sempre que ele quer, ficam em débito conjugal. Se recusam sexo, podem perder legalmente todos os direitos ao patrimônio do casal. Anderson dos Santos faz uma citação bíblica, do livro de Coríntios: “O marido pague a sua mulher o que lhe deve e da mesma maneira a mulher ao marido”.

Suspeito que Anderson seja um homem transtornado. Pode ter sido rejeitado algum dia na cama. Sua definição de feminista é “uma menina que teve problemas com os pais no processo de criação e carrega muita mágoa no coração”. Oin, que fofo, magoei. Normalmente, diz Anderson, a feminista é “uma adolescente no corpo de uma mulher”. Tá, senhor procurador, vamos harmonizar isso aí. Mais uma pérola dele: “Feminista desconhece uma literatura de qualidade e absorveu seus conhecimentos pela televisão e mais recentemente pela internet”. Hahaha. Emoji de riso e coraçãozinho.

Sabe quando a gente sente que alguém ataca, mas na verdade fala de si próprio? Está virando uma epidemia esse troço de homem frágil e inseguro, que se sente ameaçado por movimentos de liberação e de igualdade das mulheres. Quando ele diz que a busca do poder feminino é uma tentativa de “suprir profundos recalques e dissabores com o sexo masculino, gerados por suas próprias escolhas de parceiros conjugais”, desconfio que Anderson precise urgente de uma DR em casa.

O procurador prevê no futuro “um CID para esse transtorno mental”, o feminismo. E ameaça: “A esposa que não cumpre o débito conjugal deve ter uma boa explicação sob pena de dissolução da união e perda de todos os benefícios patrimoniais”. Aiaiai. Anderson talvez esteja em “débito conjugal”. Será que está sendo muito cobrado? É difícil ser machão hoje em dia, admito, mesmo com pílulas azuis.

“O progressismo nos convenceu que o cônjuge não tem qualquer obrigação sexual para com o seu parceiro, levando muitos à traição desnecessária, consumo de pornografia e ao divórcio”, escreveu ele em seu e-mail intitulado, de forma original e contemporânea, “Feministos e Feministas”. O progressismo? Olha, Anderson, quando a esposa não está muito a fim do marido, vou te dizer, a culpa não é do progressismo.

Se Anderson tomou coragem de tirar todo esse peso do coração – e foi denunciado pelas colegas procuradoras – é porque não está sozinho. Tem procurador em São Paulo que espanca procuradora, como o Demétrius, e que pode alegar insanidade temporária para se livrar da prisão. Covarde e transtornado. E tem o procurador-geral máximo da República, o AA, Augusto Aras, que não procura nada mas acha que a mulher plena é aquela que tem o prazer de escolher a cor da unha que vai pintar e o sapato que vai calçar.

Precisamos nós, mulheres, ensinar a todos esses procuradores onde ficam o respeito e o prazer.

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