'O vinho português é um dos maiores do mundo', diz Claude Troisgros na abertura do Vinhos de Portugal

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Foi com os enólogos que fazem os dois vinhos mais icônicos de Portugal, Luís Sottomayor, que assina o Barca Velha, no Douro, e Pedro Baptista, responsável pelo alentejano Pêra Manca, que começou no sábado (16) a oitava edição do Vinhos de Portugal. Conversando com os dois estiveram o chef Claude Troisgros, o chef português José Avillez, conhecido no Brasil pela participação na primeira temporada do programa Mestre do Sabor, e o colunista do Valor Econômico Jorge Lucki.

Gravada num hotel de Lisboa e transmitida para o Brasil, para todos os que compraram ingressos para este evento (que, devido à pandemia, volta a ser digital como já tinha acontecido em 2020), a conversa, uma de 33 que vão acontecer ao longo dos dois fins de semana do Vinhos de Portugal, passou pela gastronomia e pelo vinho, com Troisgros a notar que em ambas as áreas “a tradição está muito presente”, conjugando-se com a enorme evolução das últimas décadas.

Uma evolução graças à qual, como sublinhou Jorge Lucki, “os vinhos portugueses ganharam em qualidade e em elegância, coisa que não tinham antigamente”. E, segundo o crítico, “esse foi o grande salto”. O que existe hoje, conclui Troisgros, é “um casamento perfeito entre o povo, a história, o vinho e a gastronomia”.

Enquanto a conversa decorria animada num dos estúdios, no outro, o Master of Wine brasileiro Dirceu Vianna Júnior apresentava a primeira das quatro grandes provas de vinho do dia (são 17 ao todo ao longo do evento), uma Viagem ao Douro com vinhos da Quinta do Crasto, Symington Family Estates, Quinta da Casa Amarela e Palato do Côa. Vai ser assim durante os próximos dias, com provas e as conversas mais descontraídas entre personalidades brasileiras, chefs, sommeliers, atores, apresentadores – neste primeiro fim de semana, além de Troisgros, estão em Lisboa a sommelière Cecília Aldaz e os atores Monique Alfradique e Thiago Rodrigues. O chef Jefferson Rueda, que participaria do evento, ficou em Amsterdã por ter contraído covid-19 depois de participar na cerimônia dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo, na qual a A Casa do Porco ficou em 17º lugar.

Na noite de sexta-feira (15), José Avillez recebeu todos os participantes no seu restaurante Bairro do Avillez e, com a ajuda dos vinhos escolhidos por Jorge Lucki, a conversa correu animada. Já tínhamos comido o célebre bacalhau à Brás com azeitonas explosivas, um prato icônico do chef português, e a perdiz do Alentejo e esperávamos o mil-folhas de pastel de nata que encerraria a refeição quando Claude Troisgros confidenciou que acha o vinho português “um dos maiores do mundo”. Quando há mais de quatro décadas chegou ao Brasil, o chef francês “não tinha qualquer conhecimento” do tema. “Nessa altura, o vinho português era o Vinho Verde, aquele da garrafa de palha”, recorda.

Acompanhou depois a evolução que ele sofreu, passou a tê-lo nos seus restaurantes e, entre outras qualidades, nota que os tintos têm “uma estrutura de envelhecimento que vai muito bem com a gastronomia em geral, principalmente a da carne, da caça, dos molhos mais estruturados”. Lamenta, por outro lado, que a maioria dos brasileiros não tenha ainda descoberto todo o potencial dos brancos e mostra-se encantado com os que provamos no jantar – para além do Niepoort Redoma Reserva, Lucki escolhera dois brancos da Aveleda para comparar a mesma casta trabalhada pelo mesmo enólogo mas em dois tipos de solo diferentes, xisto e granito.

Sentada à frente de Troisgros, Monique Alfradique, que trabalhou com o chef francês e com Avillez no Mestre do Sabor, aproveitava a presença de Dirceu Vianna Júnior para aprender o mais possível sobre um universo que conhece porque na casa dos seus pais sempre se bebeu vinho, mas em relação ao qual ainda tem muito a descobrir. Que perguntas vai fazer nas conversas deste fim de semana com os produtores?

- Todas! - responde imediatamente, com uma gargalhada. - É a minha primeira vez em Portugal e a primeira que vou estar com enólogos, pessoas que conhecem o tema a fundo, e neste jantar já estou conhecendo muitas uvas e muitas das regiões também. Decorar o nome de todas as uvas, eu não vou conseguir, mas experimentei a Touriga Nacional e já adorei.

Depois desta passagem por Lisboa e da oportunidade de conhecer produtores das várias regiões vinícolas portuguesas no Vinhos de Portugal, Monique vai certamente aprender o nome de muitas outras uvas – e, sobretudo, diz, daqui para a frente “vai ser muito bom chegar num restaurante, receber a carta de vinhos e saber o que vou escolher, já conhecer os meus gostos”.

Hoje, o Vinhos de Portugal tem provas sobre vinhas velhas, as mulheres produtoras e enólogas, tradição e modernidade no Alentejo e os vinhos da região de Setúbal. Já os talk shows com os produtores terão a presença de Claude Troisgros, Cecilia Aldaz, Monique Alfradique e Thiago Rodrigues. O evento continuará também no próximo fim de semana, nos dias 23 e 24, e os ingressos estão à venda no site: vinhosdeportugal2021.com.br

Saiba como comprar seus ingressos

Venda: assinantes dos jornais O GLOBO e Valor Econômico tem 20% de desconto nos talk shows. Valores das provas: R$ 109 (provas gerais e premium sem garrafa de vinho), R$ 544 a R$ 880 (provas gerais com garrafas de vinho entregues em casa) e R$ 1.060 (provas premium com garrafas de vinho entregues em casa). Valores dos talk shows: R$ 82 (sem garrafa de vinho) e R$ 109 (com garrafa de vinho entregue em casa).

O Vinhos de Portugal é realizado pelos jornais O GLOBO, Público e Valor Econômico em parceria com a ViniPortugal, com a participação do IVDP, Instituto do Vinho do Douro e do Porto, apoio da Comissão Vitivinícola do Alentejo e da Comissão Vitivinícola de Setúbal, restaurante oficial Bairro do Avillez, rádio oficial CBN, hotel oficial Hotel Epic Sana, projeto da Out of Paper.

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