Trump mantém aposta em seu plano de saúde e força votação hoje no Congresso

Washington, 24 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segue apostado em seu plano de saúde e forçou sua votação nesta sexta-feira na Câmara dos Representantes, onde os conservadores já começaram suas reuniões para tentar sufocar uma rebelião que ameaça a proposta legislativa.

Após o adiamento desta quinta-feira, os republicanos começaram suas reuniões hoje cedo e a previsão é que a votação no plenário aconteça à tarde, embora não se tenha fixado uma hora.

Trump sofreu ontem seu primeiro revés legislativo ao não conseguir um acordo na bancada republicana, mas hoje voltou à ativa no Twitter e avisou aos conservadores que esta é "definitivamente sua oportunidade" para conseguir "um grande plano" que substitua a lei sanitária do presidente anterior, Barack Obama.

Em seguida, o presidente americano criticou o Freedom Caucus (Caucus da Liberdade), o grupo ultraconservador de legisladores que está obstaculizando o acordo porque quer menos regulações e que os cidadãos sejam capazes de escolher quais cuidados médicos cobrem seus planos de saúde.

Trump declarou que a oposição ao plano republicano do Caucus da Liberdade permitirá a manutenção do plano sanitário de Obama e apoiará assim de maneira indireta a Planned Parenthood, maior organização de planejamento familiar dos EUA que recebeu várias críticas dos republicanos.

"A ironia é que o Caucus da Liberdade, que é muito pró-vida e é contra a Planned Parenthood, vai permitir que continue o apoio à P.P (sigla de Planned Parenthood) se barrar este plano", escreveu no Twitter.

O grupo de legisladores do Caucus da Liberdade conseguiu precisamente que a Casa Branca retire de sua proposta legislativa os chamados "benefícios essenciais", uma cobertura básica incluída pelas seguradoras e que compreende, entre outras coisas, a assistência em urgências ou os cuidados de maternidade.

No entanto, ainda não se sabe se os ultraconservadores se deram por satisfeitos e votarão a favor da proposta hoje.

Para ser aprovada, a proposta legislativa republicana necessita de 216 votos e, embora a maioria republicana conte na Câmara dos Representantes com 237 cadeiras, a rebelião interna dos ultraconservadores (30) poderia custar um número alto demais de votos que impediria a aprovação do plano.

Os democratas, por sua vez, têm 193 cadeiras e já disseram que votarão em massa contra a proposta de Trump.

O presidente já avisou ao grupo rebelde de legisladores que, se votarem contra seu plano de saúde, está disposto a deixar válida a lei de saúde de seu antecessor, conhecida como "Obamacare", proclamada em 2010 e que conseguiu oferecer cobertura sanitária a mais de 20 milhões de pessoas que antes não a tinham.

A eliminação do "Obamacare" foi uma das promessas principais da campanha de Trump e algo que os republicanos estão há anos querendo fazer, embora não tenham se colocado de acordo em como alcançá-la.

A proposta da liderança republicana pretende recortar a ampliação do programa de ajuda às pessoas com baixos recursos, assim como pôr fim ao mandato individual de adquirir um seguro imposto pela lei atual.

No entanto, conserva algumas disposições da lei de Obama, como a obrigatoriedade de oferecer seguro às pessoas que sofreram doenças no passado. EFE