Obama critica indiretamente Trump durante cerimônia de formatura virtual

O ex-presidente americano, Barack Obama, durante vídeo em 14 de abril de 2020, no qual expressou seu apoio ao candidato democrata e seu ex-vice, Joe Biden, para as eleições presidenciais de novembro

O ex-presidente americano, Barack Obama, criticou indiretamente neste sábado (16) seu sucessor, Donald Trump, pela gestão da pandemia do novo coronavírus e o aprofundamento das desigualdades no país.

Durante cerimônia virtual de entrega de diplomas a estudantes da rede de universidades historicamente negras (HBCU), o ex-presidente democrata disse que "a pandemia acabou com a ideia de os encarregados políticos sabem o que fazem".

"Muitos deles nem mesmo fingem que são os encarregados", acrescentou o ex-presidente em uma de suas poucas intervenções públicas desde que teve início a pandemia nos Estados Unidos.

Obama reforçou que a crise sanitária revela as desigualdades que a população negra do país sofre, e pareceu demonstrar indignação, sem mencioná-lo expressamente, pelo assassinato de Ahmaud Arbery, um jovem afro-americano de 25 anos, morto enquanto corria em um parque do bairro residencial de Brunswick, no estado da Geórgia (sul).

"Uma doença com esta joga luz nas desigualdades subjacentes e o fardo que as comunidades negras suportam historicamente neste país", acrescentou.

"Vemos isto quando um homem negro faz 'jogging' e tem gente que decide detê-lo, interrogá-lo e matá-lo se não se submete às suas perguntas".

O ex-presidente se expressará em um segundo encontro virtual na noite deste sábado, desta vez no horário nobre, às 20H00 locais (21H00 de Brasília), durante evento transmitido por vários canais de TV, chamado "Graduate Together", destinado aos jovens que ficaram sem cerimônia de formatura do ensino médio.

Privadamente, Obama qualificou a gestão da pandemia da COVID-19 por Donald Trump como "um desastre caótico absoluto", durante uma conversa telefônica com ex-colaboradores em 8 de maio, segundo veículos de imprensa americanos.

Ali, destacou que dedicará "todo o tempo que for necessário a fazer campanha para Joe Biden da forma mais intensa possível", com vistas às eleições de novembro. Obama declarou seu apoio a seu ex-vice em 14 de abril.

"Votem", tuitou Obama na semana passada, em resposta a Trump, que havia denunciado uma campanha contra ele, a qual chamou de "Obamagate".

Barack e Michelle Obama vão participar de uma terceira cerimônia em 6 de julho, denominada "Dear Class of 2020", na qual também vão participar a cantora pop Lady Gaga e a militante paquistanesa e Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai.