Ex-procuradora-geral da Venezuela acusa Maduro de morte de ex-policial no TPI

Haia, 16 mar (EFE).- A ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, denunciou nesta sexta-feira no Tribunal Penal Internacional (TPI) o presidente Nicolás Maduro e dois funcionários do alto escalão do governo pelo "massacre" contra o grupo do ex-agente Óscar Pérez, que morreu em 15 de janeiro.

"É o presidente da República quem pode ordenar uma operação dessa natureza ao Comando Estratégico Operacional (CEO)", disse à Agência Efe Ortega.

"Conseguimos apresentar evidências de que as pessoas que foram massacradas já estavam rendidas e tinham negociado sua entrega", disse a ex-procuradora-geral, "mas, de última hora, chegou a ordem de Nicolás Maduro para que procedessem com sua aniquilação", acrescentou Ortega.

A ex-procuradora-geral também apontou como responsáveis por essa operação o comandante-geral Remigio Ceballos Ichaso e o diretor da Polícia Nacional, Carlos Pérez Ampueda, e pediu que os mesmos sejam processados por crimes contra a humanidade junto com Maduro.

O ex-policial Pérez ficou famoso em julho de 2017 quando, durante a onda de protestos antigovernamentais que deixaram mais de 100 mortos na Venezuela, lançou várias granadas de um helicóptero da Polícia Científica contra o Supremo Tribunal e, junto de alguns militares, se rebelou contra o presidente Maduro.

O Serviço de Inteligência da Venezuela encontrou em 15 de janeiro em uma casa de El Junquito, que fica no município Libertador, a oeste de Caracas, e realizaram uma operação para capturá-los.

Na ação morreram Pérez e seis de seus companheiros, enquanto outras cinco pessoas foram detidas. Também morreram dois efetivos da Polícia Nacional e cinco ficaram feridos, segundo o governo da Venezuela. EFE