Rússia convoca embaixadores no país para reunião sobre caso de ex-espião

Moscou, 20 mar (EFE).- O Ministério de Relações Exteriores da Rússia convocou nesta quarta-feira todos os embaixadores no país para uma reunião extraordinária sobre a postura oficial do Kremlin no caso do envenenamento do ex-espião Sergei Skripal no Reino Unido.

"O principal tema do encontro é a situação criada pelas declarações do Reino Unido sobre o uso de substâncias tóxicas no seu território", disse a porta-voz do ministério, Maria Zakharova.

"Queremos divulgar nosso ponto de vista sobre o caso, responder a possíveis perguntas e fazer os nossos próprios questionados aos representantes da diplomacia estrangeira", completou.

Zakharova destacou que a Rússia já explicou a postura do país sobre o caso no Conselho de Segurança da ONU, na Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e na Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

"Infelizmente, até agora, apesar das várias solicitações ao Reino Unido, ninguém sabe que substância foi utilizada em Salisbury", afirmou Zakharova, citando a cidade onde Skripal foi envenenado.

A porta-voz reiterou que todas as hipóteses divulgadas pela imprensa não citam o fato de que o Reino Unido não apresentou provas para esclarecer o caso. Só faz acusações ao Kremlin.

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, afirmou que Skripal e sua filha foram envenenados com o agente tóxico de fabricação russa "novichok" e acusou o Kremlin pelo ocorrido.

Em resposta, após vencer as eleições no domingo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a Rússia não possui esse agente.

"Não temos esses meios na Rússia. Nós destruímos todo o nosso arsenal químico sob a supervisão de observadores internacionais. Se fosse uma substância tóxica para a guerra, as pessoas morreriam no ato. É isso que nos vêm à cabeça", explicou Putin.

"Qualquer pessoa comum entende que é uma tolice, um delírio, algo sem sentido que alguém na Rússia permita tais atos nas vésperas das eleições presidenciais e da Copa do Mundo", afirmou o presidente. "É totalmente impensável", frisou Putin.

O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Riabkov, reiterou hoje a postura do Kremlin, ao afirmar que o país, mesmo na União Soviética, nunca desenvolveu a substância "novichok".

Por outro lado, cientistas russos que trabalhavam na época da Guerra Fria desmentiram essas afirmações oficiais, garantiram que a Rússia desenvolveu o "novichok" e não descartaram a possibilidade de o componente ser sintetizado em outros países. EFE