Milhares de estudantes dos EUA exigem mais proteção contra as armas

Denver (EUA), 20 abr (EFE).- Alunos de mais de 2.500 instituições de ensino nos Estados Unidos saíram das salas de aula nesta sexta-feira para cobrar das autoridades um maior controle na venda de armas, atitude tomada no dia do 19º aniversário do massacre de Columbine, no qual 13 pessoas morreram no tiroteio dentro de uma escola no Colorado.

A mobilização estudantil lembrou dos mortos em Columbine e também das dezenas de vítimas de massacres escolares desde esse atentado em 1999, quando dois alunos mataram 12 colegas e um professor. Outra iniciativa do protesto foi pedir aos jovens que se inscrevam para votar nas próximas eleições, de modo a pressionar os políticos.

Com apoio das autoridades escolares e a ajuda de 200 organizações nacionais e celebridades, milhares de estudantes deixaram as salas de aula às 10h da manhã (horário local) para participar das manifestações.

Os estudantes permaneceram em silêncio durante 13 segundos em memória às vítimas de Columbine e depois se sentaram no chão durante 19 minutos, um para cada ano desde o massacre.

Em outros lugares do país os alunos ficaram no chão por 17 minutos, pelo número de mortos no último grande massacre, ocorrido em 14 de fevereiron na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, na Flórida.

Após os protestos, em vez de retornarem às salas de aula, muitos estudantes realizaram campanhas de inscrição de eleitores ou, como no caso de alunos da Wakefield High School, em Arlington, na Virgínia, prepararam cartas para os congressistas nas quais cobravam medidas para estabelecer um maior controle na venda de armas. Essas cartas serão entregues nesta sexta-feira nos escritórios de vários legisladores federais.

Muitos estudantes decidiram levaram cartazes com mensagens como "Basta", "Não atirem", além de imagens das vítimas dos massacres escolares.

Em Denver, estudantes das escolas públicas locais fizeram uma passeata até o Capitólio estadual, onde entregaram folhetos aos legisladores com uma mensagem clara: "Se os políticos covardes não fazem nada, os jovens os mostrarão ao votarem contra eles em novembro, como consequência por deixarem que tantos americanos morram".

A manifestação surgiu com um pedido no site Change.org criado em fevereiro pela estudante Lane Murdoch, de 16 anos, que vive a 32 quilômetros da escola Sandy Hook, em Connecticut, onde 20 crianças e seis adultos foram assassinados em 2012.

Para evitar incidentes, algumas escolas suspenderam as aulas e outras aumentaram a presença de seguranças. Outras advertiram que os estudantes seriam sancionados por abandonarem as aulas sem a autorização correspondente.

Mas atores como Robert DeNiro e Julianne Moore publicaram modelos de "Cartas de Ausência" na internet para que os estudantes pudessem explicar aos professores os motivos das manifestações, como homenagear as vítimas, educar a comunidade e exercer os direitos de participação cívica. EFE