Palestinos protestam contra decisão de Guterres de retirar texto sobre Israel

Jerusalém, 18 mar (EFE).- Dirigentes palestinos protestaram neste sábado contra a decisão do secretário-geral da ONU, António Guterres, de retirar do site da organização um relatório que acusava Israel de "apartheid", o que provocou ontem a renúncia de uma alta funcionária de nacionalidade jordaniana.

Em comunicado, o Ministério palestino das Relações Exteriores indica que seu titular, Riyad al-Maliki, "expressa sua profunda repulsa pelo fato de a secretária executiva da Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental da ONU, Rima Khalaf, ter que renunciar por conta de pressões para que o relatório fosse retirado".

Khalaf é a principal responsável da comissão da ONU que esta semana publicou um relatório que acusava Israel de "apartheid" contra os palestinos, o que gerou um atrito com o secretário-geral, já que sua publicação não tinha sido coordenada com Nova York.

O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, disse ontem que a renúncia tinha sido aceita e confirmou que houve um pedido para que o relatório fosse retirado do site das Nações Unidas.

"Não se trata do conteúdo, se trata do processo. O secretário-geral não pode aceitar que (...) um alto funcionário da ONU que responde a ele autorize uma publicação sob o nome e o logotipo das Nações Unidas sem consultá-lo", disse o porta-voz.

Para al-Maliki, o relatório "examinava as políticas e práticas discriminatórias de Israel" e foi preparado por especialistas legais e acadêmicos de renome.

O relatório "apresenta uma análise objetiva dos fatos, chegando a uma conclusão exata baseada na definição legal do crime de apartheid", destaca o comunicado palestino.

A política palestina Hanan Ashrawi também criticou, em comunicado separado datado em Nova York, a decisão de retirar um relatório que reflete que "Israel é culpado de políticas e práticas que constituem um crime de apartheid, como é definido nos instrumentos do direito internacional".

"Ao invés de sucumbir à chantagem política, ou deixar-se censurar ou intimidar por terceiras partes, a ONU deveria condenar os fatos descritos no relatório e responsabilizar Israel", ressalta Ashrawi. EFE

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