Irlanda investigará uso de publicidade política no Facebook

Dublin, 20 mar (EFE).- A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC) informou nesta terça-feira que investigará o uso de publicidade política no Facebook, após o suposto vazamento de dados de usuários da rede social à empresa Cambridge Analytica.

Em comunicado, a DPC afirmou que abordará com o Facebook Ireland, que tem a base de operações europeias em Dublin, os mecanismos adotados pela empresa para "supervisionar ativamente" o bom uso da plataforma por parte de "desenvolvedores de aplicativos e terceiros".

A responsável pela DPC, Helen Dixon, comandará esse processo de análise, em resposta à suposta atuação da consultoria britânica Cambridge Analytica, que usou os dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook para ajudar na campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A comissária irlandesa declarou que a "pesquisa de alvos" na rede social para o envio de "propaganda política" e "notícias patrocinadas" continua sendo uma prática habitual.

"Na ausência de leis que regulem especificamente as mensagens políticas dirigidas on-line, a DPC tem a intenção de apresentar orientações aos usuários para que possam saber como recebem certos anúncios e histórias", explicou a comissão.

Além disso, a comissão quer ensinar aos clientes como "silenciar" ou "desativar" as mensagens "procedentes dessas fontes" e "como podem modificar as suas preferências de propaganda para controlar o tipo de anúncios que chegam".

Segundo informaram os jornais "The New York Times" e "The Observer", a Cambridge Analytica, que foi contratada tanto pelos responsáveis da campanha eleitoral de Trump como pela campanha a favor do Brexit, prévia ao referendo no Reino Unido em junho de 2016, coletou informação de milhões de votantes através do Facebook.

A partir desses dados, elaborou um software para identificar a intenção de voto de milhões de pessoas e tentar influir nas suas decisões, segundo as revelações de ambos os jornais.

Um porta-voz do Facebook Ireland comunicou nesta terça-feira ao jornal "Irish Independent" que a suposta atuação da Cambridge Analytica teria afetado principalmente os dados de usuários da rede social nos Estados Unidos, enquanto que na Europa pode ter afetado apenas 1% das contas. EFE