Organizações querem acesso a documentos antes de nomeação de chefe da CIA

Washington, 16 mar (EFE).- Uma coalizão de organizações civis reivindicou nesta sexta-feira ao Congresso dos Estados Unidos que não aprove a nomeação de Gina Haspel como nova diretora da CIA até que não se permita o acesso a um relatório oficial que poderia provar sua participação no programa de torturas da agência.

"A obrigação constitucional do Senado de 'aconselhar e consentir' qualquer nomeação requer o acesso pleno à informação dos candidatos antes de atuar", afirma a carta dirigida aos senadores por 28 organizações, entre elas a Humans Rights Watch e a União Americana de Liberdades Civis (ACLU).

Devido ao seu suposto papel à frente de uma prisão secreta na Tailândia, muitas destas organizações tinham expressado nos últimos dias sua oposição à nomeação de Haspel, que, caso seja confirmada, se tornaria a primeira mulher a dirigir a emblemática agência de espionagem americana.

Segundo uma investigação divulgada em fevereiro de 2017 pelo site ProPublica, Haspel dirigiu este centro de detenções em 2002, quando Abu Zubaydah e Abd al Rahim al Nashiri, supostos terroristas da Al Qaeda, foram submetidos a distintas torturas, como asfixia simulada.

No entanto, nesta quinta-feira, o site publicou um artigo no qual se retratava desta acusação, texto que foi comemorado pela própria CIA, cuja porta-voz, Nicole de Haay, expressou à Agência Efe sua satisfação pela retificação e convidou outros meios de comunicação a ter "a coragem e a integridade" de fazer o mesmo.

Apesar de na terça-feira passada o próprio presidente Donald Trump ter anunciado a designação de Haspel como substituta do atual diretor da CIA, Mike Pompeo - que foi indicado para liderar o Departamento de Estado -, sua nomeação depende da aprovação do Senado.

Devido às dúvidas que pairam sobre a ainda subdiretora da agência, alguns senadores republicanos já expressaram suas reservas a votar a favor da sua nomeação, o que poderia representar um grave contratempo para a Casa Branca, já que os conservadores contam apenas com uma vantagem de duas cadeiras na Câmara Alta.

Além disso, como ressaltam na carta as distintas organizações, além dos seus vínculos com a tortura, pesa sobre Haspel a suspeita que em 2005 destruiu "92 gravações" de violentos interrogatórios realizados em distintas prisões clandestinas.

O presidente Barack Obama (2009-2017) chegou a reconhecer há quatro anos que os Estados Unidos tinham cometido atos de tortura depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. No entanto, um relatório detalhado que foi elaborado em 2012 pelo Comitê de Inteligência do Senado nunca foi divulgado devido ao seu caráter confidencial.

É precisamente a publicação deste relatório o que reivindicam estas organizações civis com o objetivo de conhecer o "papel" de Haspel no programa de torturas da CIA.

"Baseado em relatórios já disponíveis e em investigações jornalísticas, fica evidente que a má atuação (de Haspel) demonstra sua falta de respeito pela lei e pelos direitos humanos", conclui a carta. EFE