SPD alemão elege primeiro mulher como chefe do partido com 66% dos votos

Wiesbaden (Alemanha), 22 abr (EFE).- O Partido Social-Democrata (SPD) elegeu neste domingo como nova presidente Andrea Nahles, até agora líder de seu grupo parlamentar, que se torna a primeira mulher à frente de uma formação com 154 anos de história.

Nahles, que sucederá no cargo Martin Schulz, obteve 414 apoios entre os 631 delegados presentes, o que significa 66,3% do total de votos válidos no Congresso Extraordinário do SPD, realizado na cidade de Wiesbaden (oeste).

O resultado contrasta com os 100% conseguidos um ano atrás por Schulz, o que é explicado em parte porque desta vez havia uma candidatura alternativa, da prefeita de Flensburg (norte), Simone Lange, que obteve 172 votos.

Nahles partia como clara favorita, já que tinha sido designada por unanimidade pela cúpula do partido, enquanto Lange era uma aspirante pouco conhecida e com escassas perspectivas de sucesso.

Antes da votação, Nahles tinha pedido o apoio aos seus correligionários para presidir o partido, com o compromisso de liderar a renovação da formação mais antiga da Alemanha.

"Hoje, aqui, vamos romper um teto de vidro", afirmou Nahles, em um vibrante discurso perante os 600 delegados, em alusão ao fato de o SPD se dispor a colocar pela primeira vez em sua história uma mulher na chefia.

Nahles lembrou o difícil caminho percorrido pelo SPD até aceitar entrar em uma nova grande coalizão com a chanceler Angela Merkel, desde seu enfraquecemento nas últimas eleições gerais.

"Podemos nos renovar, desde dentro da grande coalizão", prometeu Nahles, para qualificar o SPD de "defensor da justiça social" e lembrar algumas conquistas com o selo do partido, como a implantação do salário mínimo interprofissional, conseguida na anterior legislatura, com ela como ministra de Trabalho.

A Nahles, de 47 anos, a respalda a cúpula em bloco, enquanto Lange, seis anos mais jovem, é pouco conhecido inclusive dentro do próprio partido.

Trata-se do quarto congresso do SPD em um ano e o primeiro após a formação de uma nova grande coalizão sob a liderança Merkel e a renúncia de Martin Schulz como presidente do partido

Schulz tinha se transformado em chefe do partido há um ano como grande esperança para derrotar Merkel, o que não aconteceu. EFE