Pyongyang acusa Seul de dificultar distensão reforçando seu exército

Seul, 25 mar (EFE).- Veículos de imprensa da Coreia do Norte acusaram neste domingo Seul de prejudicar o clima de distensão entre as duas Coreias por ter reforçado seu exército com o desdobramento de novos caças furtivos e mísseis de longo alcance.

"São claras provocações contra as partes negociantes e de um perigoso movimento contra o atual ambiente de reconciliação e de união que não se via há muito tempo na península da Coreia", afirma em artigo publicado hoje o "Rodong Sinmun", o principal jornal norte-coreano.

A publicação se referiu assim à decisão do exército sul-coreano de desdobrar seus primeiros caças furtivos, que serão apresentados em cerimônia prevista para esta semana, assim como à sua aquisição de 90 novos mísseis Taurus ar-terra de longo alcance, anunciada em fevereiro.

"As negociações e as manobras para a guerra não podem acontecer ao mesmo tempo", afirma o jornal oficial do Partido Norte-coreano dos Trabalhadores, que também adverte que "perseguir opções militares nunca funciona" contra o regime.

Esta advertência acontece em plena aceleração dos contatos bilaterais para realizar a esperada cúpula entre o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, prevista para o final de abril.

A reunião será a terceira entre líderes destes países, que permanecem tecnicamente em guerra há 65 anos, após as cúpulas intercoreanas anteriores de 2000 e 2007, ambas realizadas em Pyongyang.

A aproximação entre ambos os países, propiciada pela realização no mês passado dos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang (Coreia do Sul), também abriu caminho para o líder norte-coreano se oferecer a se reunir em maio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir a desnuclearização do regime.

Neste contexto, e em relação a ambas históricas cúpulas, a Coreia do Sul e os EUA decidiram reduzir seus exercícios militares em território sul-coreano, que começarão no dia 1º de abril.

A decisão de reduzir a escala destas manobras anuais teria a intenção de manter o clima de melhora nas relações com a Coreia do Norte, que considera estes exercícios como um ensaio para invadir seu território e que em ocasiões anteriores respondeu com testes de mísseis. EFE