Irã condena novas sanções impostas pelos EUA por roubo de dados

Teerã, 24 mar (EFE).- A República Islâmica do Irã condenou neste sábado as novas sanções impostas ontem pelos EUA a dez pessoas e uma entidade do país, relacionadas com a Guarda Revolucionária, pelo roubo em massa de dados "valiosos" de centenas de universidades e agências governamentais em nível global.

O porta-voz do Ministério iraniano de Assuntos Exteriores, Bahram Qasemi, condenou em comunicado este "movimento do Governo americano" e afirmou que foi realizado "com o pretexto e a falsa acusação de atividades em áreas cibernéticas contra as instituições acadêmicas dos EUA".

Qasemi qualificou a medida de "provocativa, ilegítima, sem nenhuma justificativa razoável e outro sinal claro da hostilidade e inimizade inerente do corpo governante dos EUA contra o povo iraniano".

"Os Estados Unidos, com estes truques, não obterão nenhum resultado para deter ou prevenir o crescimento científico do povo do Irã", assegurou.

Através do Departamento do Tesouro e em coordenação com o Departamento de Justiça, os Estados Unidos estabeleceram ontem castigos aos supostos autores de um ataque cibernético pelo qual os responsáveis tiveram acesso a um total de 31,5 terabytes de dados delicados de universidades, agências americanas e da ONU, assim como de empresas privadas.

Segundo informaram as autoridades americanas, as sanções consistem no bloqueio de todas as propriedades sob jurisdição americana dos sujeitos apontados, assim como a proibição de que mantenham transações com americanos.

A entidade à qual apontam as sanções é o Mabna Institute, que foi supostamente terceirizado pela Guarda Revolucionária do Irã para executar estas intrusões cibernéticas e cometeu o roubo de dados com fins financeiros privados.

O instituto foi criado em 2013 com objeto de ajudar as universidades e organizações de investigação iranianos para ter acesso a recursos científicos estrangeiros, segundo informou o Tesouro dos EUA.

O roubo em massa afeta organizações situadas em 21 países, além dos EUA, entre os quais estão Austrália, Alemanha, Irlanda, Itália, Coreia do Sul, Espanha e Turquia. EFE