Obesidade: Anvisa aprova injeção para perda de peso

Em breve, os brasileiros com sobrepeso ou obesidade terão uma nova alternativa de tratamento para redução de peso aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Trata-se da molécula semaglutida — inicialmente liberada no país para controle do diabetes, mas que mostrou importantes resultados para perda de quilos. O registro, como é chamado o aval da agência, foi dado nos últimos dias de 2022.

Covid-19: Saiba qual é o melhor assento em ônibus e avião para evitar contaminação pelo vírus

Do jejum intermitente à dieta mediterrânea: 6 planos alimentares aprovados pela ciência para começar 2023

A aprovação foi dada para o medicamento Wegovy — mas usa a mesma droga ativa do Ozempic e do Rybelsus. A previsão da farmacêutica Novo Nordisk é que a droga chegue às farmácias brasileiras no segundo semestre deste ano. Não deve ocorrer, neste momento, um pedido de inclusão do fármaco no SUS.

O uso do medicamento é indicado para pessoas com sobrepeso somado a comorbidades ou para quem tem algum grau de obesidade. O Wegovy é aprovado para essa função nos Estados Unidos desde o ano passado. No Brasil, por outro lado, havia o uso da mesma molécula em metodologia off label — quando é preciso que o médico determine seu uso por conta própria, na bula a indicação de uso é para outra doença ou sintoma.

— Do ponto de vista do especialista em saúde é uma mudança muito importante. Quando a medicação é aprovada pela Anvisa nos dá uma segurança maior. Apesar de conhecermos os estudos e as aprovações internacionais, agora nossa segurança de uso é maior. Pois a formulação vem na dosagem exata e reduz o erro ou trabalho do paciente — explica Cynthia Valerio, médica endocrinologista e Diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO).

Colesterol alto: cardiologista elenca os quatro piores alimentos para o problema

A orientação da Anvisa é para que esse uso se dê em pacientes com mais 30 de IMC — quando o quadro começa a ser considerado obesidade ou em pessoas com o IMC acima de 27, o chamado sobrepeso, com doenças associadas, como pré-diabetes, diabetes tipo 2, hipertensão ou problemas cardiovasculares. Para se ter uma ideia, de acordo com o levantamento mais recente do Ministério da Saúde, uma a cada cinco pessoas no país têm obesidade. Uma taxa que está em crescimento.

Como funciona

O grande trunfo do medicamento é conseguir ampliar a resposta de um tratamento farmacológico à obesidade. Outras moléculas, explicam os especialistas, conseguem a perda de peso global de cerca de 6%. A resposta do novo fármaco é de 17%, em média, ao longo de um ano. Seu uso deverá ser prolongado, ou seja, o paciente precisará acompanhar junto ao médico o período em que será necessário fazer uso das aplicações. Ainda não há preço fechado para seu uso no Brasil, mas nos EUA o tratamento mensal é cotado a US$ 1.300 por mês, segundo a imprensa local.

— Recentemente, tivemos resultados de um estudo que mostrou a mesma eficiência do medicamento em adolescentes. A ideia é fazer a mesma solicitação (de registro) para a Anvisa, no Brasil — diz a diretora médica da Novo Nordisk, responsável pelo fármaco, Priscilla Mattar. — Há o desenvolvimento de estudos para um medicamento de semaglutida via oral (focada em pacientes com obesidade e sobrepeso). Mas ainda é preciso mais tempo, pois a absorção via oral pelo organismo é diferente, então precisamos determinar qual seria a dosagem correta.

O funcionamento da nova droga injetável aprovada no Brasil é imitar o funcionamento do GLP-1, um tipo de hormônio presente no intestino humano. A ideia é que essa molécula transmita a sensação de saciedade — o que consequentemente leva à perda de peso. Em geral, quando as pessoas têm algum grau de sobrepeso, obesidade ou até em casos de diabetes, essa balança da saciedade está desregulada: o que compromete o controle da gordura corporal, fator que pode estar associado à piora da saúde do individuo.

— O GLP-1 é uma substância produzida pelo intestino que atua como uma fonte de sinalização de que há alimento naquela parte do corpo. Com esse mecanismo, ele modula a velocidade na qual o estômago é esvaziado, reduzindo-a, e ainda induz a percepção de saciedade no hipotálamo, no nosso cérebro — afirma Paulo Miranda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — É uma medicação que tem eficácia e é segura. Soma-se às opções que temos para tratar os pacientes.

Entre os efeitos colaterais do medicamento, segundo a agência regulatória americana, Food and Drug Administration (FDA), estão: náusea, diarreia, vômito, dor de barriga, dor de cabeça e fadiga.