Obras da linha 2-verde do metrô danificam ruas e casas na zona leste de SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ampliação da linha 2-verde do metrô de São Paulo está danificando ruas e imóveis na Vila Mafra, zona leste da cidade. Ao menos 12 moradores da região relataram problemas estruturais em suas casas, como rachaduras e infiltrações por canos estourados, causados pela obra iniciada em julho de 2021.

Os danos estão concentrados nas ruas Zodíaco e Antônio Carlos Martin, que também apresentam problemas no asfalto e calçadas, ambas em frente ao canteiro de obras. O Metrô de São Paulo afirma que fará reparos nas residências, mas só após o fim da ampliação, o que está previsto para acontecer em 2026.

Enquanto isso, o engenheiro Alexandre Carpinelli, 53, teve que deixar a sua casa junto com a mulher e uma criança de dois anos. No início deste mês, a rua Antônio Carlos Martin, onde a família morava, registrou uma série de problemas.

Calçada, asfalto, muros e paredes racharam, canos estouraram nas residências, portões entortaram, e até mesmo a piscina de uma moradora trincou, o que fez litros de água irem para o subsolo. Na casa do engenheiro, fendas apareceram nas paredes e o encanamento foi danificado.

O Metrô prometeu consertar o encanamento, mas, até esta quarta-feira (13), os serviços não foram feitos. "Os moradores do entorno da obra estão com medo. Minha família preferiu morar em outro local, mas a casa ficou lá, com todas as contas e impostos", diz Carpinelli, que vive agora no litoral de São Paulo.

Em nota, o Metrô de São Paulo afirma acompanhar a situação de todos os imóveis no entorno dos canteiros de suas obras com o auxílio de equipamentos que monitoram possíveis movimentações de solo, além de realizar vistorias periódicas nas casas para verificar alterações.

A companhia acrescenta que as análises já feitas não demonstram danos estruturais nos imóveis da Vila Mafra. "Mas, com o menor sinal de alguma movimentação que comprometa a estrutura, medidas de segurança serão adotadas imediatamente com reparos e, quando necessário, a remoção das famílias para hotéis custeados pelo Metrô ou pagamento integral de aluguel. A avaliação vem sendo feita e os moradores são informados de todas as etapas do processo", afirma a empresa.

Não é o que diz a professora Marta Cavalcante, 52, há mais de dez anos moradora de outra rua próxima ao canteiro, a Angoera. "Tentamos falar com eles [Metrô] desde a metade de 2021 e nada. Um dia acordamos com um muro em nossas caras [o que separa as ruas do canteiro] e somos deixados de lado. Só estamos lutando pela nossa qualidade de vida", diz.

A professora ainda cita que as obras acontecem em uma área de preservação ambiental permanente, o Parque Linear do Córrego Rapadura.

O início da construção que amplia a linha 2-verde do metrô estava marcado para meados de 2020, mas, após protestos de moradores contra a intervenção no parque, o Ministério Público entrou com uma ação na Justiça de São Paulo para impedir a obra, conquistando liminar favorável à preservação da área. Os trabalhos ficaram parados por quase um ano.

Em maio de 2021, o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Humberto Martins, derrubou a liminar alegando que a paralisação culminaria em prejuízos econômicos irreversíveis ao Metrô de São Paulo. Poucas semanas depois, 155 árvores foram derrubadas, e o canteiro de obras, instalado.

A Cestesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) afirma que a autorização de supressão de vegetação e intervenção em área de preservação foi emitida com base na legislação florestal, mas a previsão é que o Metrô faça uma recuperação completa da flora na área. Não há prazo para que isso aconteça.

O Parque Linear do Córrego Rapadura também abriga um sítio arqueológico —as obras foram liberadas pelo Iphan.

Segundo a Cetesb, o Metrô deve apresentar relatórios quadrimestrais sobre os programas ambientais aprovados e comunicar a população sobre essas ações. Os moradores negam qualquer contato.

O empresário Bruno Augusto, 39, vive há mais de 25 anos na rua do Zodíaco, às margens do córrego Rapadura e próxima à entrada do canteiro de obras do metrô. Ele afirma que a passagem de caminhões pela rua estreita causou rachaduras e afundamentos no asfalto, o que o Metrô nega.

Parte mais sensível dos trabalhos, a passagem do tatuzão – como é popularmente conhecida a tuneladora, equipamento responsável por escavar os túneis do metrô – deve ocorrer só em 2023.

"Tenho medo do que pode acontecer aqui, é uma área de baixada, úmida e com nascente. A gente mora em um lugar que pode afundar, como ocorreu na marginal [Tietê]. Nem um plano de emergência nos foi apresentado, para onde corremos se houver problemas?", diz Augusto.

O empresário ainda relata que o horário de serviço do canteiro, das 6h às 21h, causa muito transtorno. "O barulho é insuportável e a poeira entra em todas as casas. Além disso, eles [os trabalhadores], muitas vezes, extrapolam o horário. Como de costume, nunca somos avisados".

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