Obras destruídas no STF e Planalto foram projetadas por sobreviventes do holocausto

Cerca de 40 obras foram estragadas ou roubadas, dentre elas as cadeiras do STF e a escultura.

Cadeira usada por ministros do STF, brasão de plenário e obras foram danificados por terroristas — Foto: Reprodução/Redes sociais
Cadeira usada por ministros do STF, brasão de plenário e obras foram danificados por terroristas — Foto: Reprodução/Redes sociais

Cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma escultura do Palácio do Planalto, destruídas durante os ataques as sedes dos Três Poderes na tarde do último domingo (8), em Brasília, eram obras de dois sobreviventes do Holocausto nazista.

Cerca de 40 obras foram estragadas ou roubadas, dentre elas as cadeiras do STF e a escultura.

O arquiteto e designer polonês Jorge Zalszupin, foi quem projetou as cadeiras usadas pelos ministros do STF. O judeu, nascido em Varsóvia, sobreviveu ao Holocausto fugindo para a Romênia, onde estudou arquitetura. No pós-guerra, imigrou para o Brasil.

As poltronas projetadas por ele, no domingo, foram arrancadas e jogadas na rua pelos terroristas junto do brasão que ficava exposto no plenário da Corte.

O Museu do Holocausto, em Curitiba (PR), foi quem resgatou nesta segunda-feira (9), as histórias.

De acordo com a instituição, as peças foram projetadas por Zalszupin nos anos 1960 a pedido do próprio Oscar Niemeyer, que convidou o polonês para desenvolver móveis para os gabinetes e palácios na construção da capital federal.

Zalszupin, se naturalizou brasileiro e ficou conhecido como um dos maiores ícones do design e do modernismo nacional. Ele morreu aos 98 anos, em agosto de 2020.

A filha do arquiteto, Verônica Zalszupin, nas redes sociais lembrou que o pai viveu o nazismo e que as poltronas desenhadas por ele também representavam o Brasil de Niemeyer.

"Era um país que acolheu ele como imigrante com amor", disse a Verônica.

Outra obra alvo dos terroristas, foi uma escultura de parede, em madeira, do polonês Frans Krajcberg. A peça ficava no Palácio do Planalto. Galhos de madeira que compõe a obra foram quebrados e jogados longe. De acordo com o Executivo, a escultura é estimada em R$ 300 mil.

Também Judeu, Krajcberg nasceu em Kozienice, na Polônia. No início da 2ª Guerra Mundial, viveu em Częstochowa, cidade ao sul de sua terra natal.

Ele conseguiu refúgio, pouco tempo depois, na antiga União Soviética, onde estudou Engenharia e Artes na Universidade de Leningrado. Entre 1941 e 1945, foi oficial do exército polonês. Após o fim da guerra, foi para a Alemanha, onde ingressou na Academia de Belas Artes de Stuttgart.

O artista imigrou para o Brasil, segundo o Museu do Holocausto, em 1948, procurando reconstruir a vida após perder toda a família em um campo de concentração.

Na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951 ele expôs duas pinturas, em seguida, mudou para o Paraná, isolando-se na floresta para pintar.

A peça alvo dos terroristas, e as outras obras de Krajcberg têm como característica uma pesquisa dos elementos da natureza, destacando-se pelo ativismo ecológico, que associa arte e defesa do meio ambiente. Krajcberg morreu em 15 de novembro de 2017, aos 96 anos, no Rio de Janeiro.