Observatório de Favelas lança projeto com oficina gratuita de fotografia a partir desta sexta-feira

Julio Cesar Lyra*
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RIO - Por meio do eixo de Políticas Urbanas e do Programa Imagens do Povo, o Observatório de Favelas lança, nesta sexta-feira, o projeto ‘Corpo Morada’. Além de uma oficina gratuita de fotografia, a iniciativa também conta com aulas online, oferecidas às terças-feiras, das 18h30 às 20h30, durante os meses de maio e junho. Para se inscrever, é preciso acessar o link (https://cutt.ly/zvfkFgm) até o dia 25 de abril. Quinze moradores de favelas e regiões periféricas serão selecionados. O requisito é ter conhecimento prévio de fotografia.

Segundo a organização, sediada no Complexo da Maré, a ideia do projeto é fomentar o debate sobre o espaço urbano e das favelas no Rio e refletir sobre a narrativa estabelecida pelas imagens captadas nas periferias — geralmente ligadas à violência, precariedade de ações do estado ou dificuldade de acesso a bens e serviços.

Diante da necessidade de um novo retrato das favelas, surge a iniciativa “Corpo Morada”, que, de acordo com o Observatório de Favelas, vem contribuir nesse processo. Para a vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Luciana Mayrink, o projeto é considerado fundamental.

— O diálogo cultural que existe na integração com o espaço urbano formal precisa ser valorizado. O CAU-RJ se sente honrado em patrocinar o projeto Corpo Morada, dando visibilidade a esta iniciativa que mostra a potência da cultura da favela para toda a cidade — declarou Luciana.

Fotógrafa educadora do Programa Imagens do Povo e ministrante das aulas, Thais Ayomide explicou que a oficina tem o intuito de refletir sobre como o território influencia na dinâmica corporal. A instrutora disse, ainda, que esse processo constrói “corpos políticos que transitam pela cidade levando seus lares, suas histórias, seus territórios e suas raízes”, o que, para ela, evidencia que “favela é movimento''.

Para o coordenador do eixo de Políticas Públicas do Observatório de Favelas, Aruan Braga, o momento atual — em que o Rio ocupa o título de Capital Mundial da Arquitetura — torna o projeto ainda mais pertinente.

— A oficina de imagens surgiu da necessidade de multiplicarmos olhares e representações sobre o Rio de Janeiro, seus territórios e seus habitantes, especialmente no ano em que a cidade se tornou capital mundial da arquitetura. O Rio vivido nos territórios populares e construído, sobretudo pelos moradores e moradoras destes espaços, deve ser referência para uma cidade menos desigual e mais democrática — disse.

*Estagiário sob a supervisão de Giampaolo Morgado Braga