Observatório de Favelas lança segunda fase da campanha 'Como se proteger do coronavírus'

João Fragoso*
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RIO — Pensando na realidade das regiões periféricas do país e dos moradores dessas localidades em meio à pandemia da Covid-19, o Observatório de Favelas, organização que dá dicas de proteção e cuidado para moradores de comunidades por meio de conteúdos nas redes sociais, e que é composta por profissionais das mais diversas áreas e majoritariamente residentes de comunidades, lança nesta quarta-feira, dia 10, a segunda fase da campanha “Como se proteger do coronavírus”.

Nesta etapa, a campanha visa a dialogar sobre a importância da adesão desse público periférico às campanhas de vacinação. Além disso, o lançamento busca também fortalecer as ações do Dia Estadual de Mobilização para Enfrentamento da Covid-19 nas Favelas do Rio de Janeiro.

— Nesta segunda fase, entendemos que o mais estratégico para dialogar com nosso público de forma ideal, seria produzindo conteúdo para as redes sociais falando sobre a vacinação. Tirando dúvidas e explicando como funciona esse processo — diz Isabela Souza, coordenadora do Observatório de Favelas.

Apoio da Fiocruz

A segunda fase da campanha começou a ser organizada depois que o Observatório de Favelas, junto de outras iniciativas de potencial educativo, em meio ao enfrentamento da pandemia, foi convidado pela Fiocruz para que estendesse as suas ações. A própria fundação cedeu recursos financeiros para a organização, que também recebeu financiamentos por meio de ações coletivas e até mesmo pessoas físicas. Com isso, da próxima quarta-feira até maio, o Observatório produzirá e disponibilizará conteúdos sobre a vacinação contra a Covid-19 em seus canais através de peças gráficas, áudios, textos, cartilhas impressas e até mesmo com duas edições do podcast da organização, o FavelaPOD.

— No fim do ano passado, a Fiocruz fez um edital de cem projetos que pautavam o enfrentamento da pandemia e premiou alguns deles com apoio por meio de recursos financeiros. E o observatório foi um deles. Com isso, tivemos a possibilidade de dar continuidade no trabalho e começamos a organizar essa segunda fase da campanha, que colocamos no ar amanhã — explica Isabela.

O início da campanha

A campanha “Como se proteger do coronavírus” começou em março do ano passado, com objetivo central de funcionar como um canal de criação de alternativas para que moradores de favela pudessem se informar e saber como agir em meio à pandemia.

— Essa campanha começou em março do ano passado, a partir de um diagnostico nosso, do Observatório, de que não era suficiente que simplesmente desmobilizássemos o funcionamento dos espaços físicos. A gente deixar de acolher as pessoas e transpor tudo para o online não era suficiente. Então, entendemos que poderíamos ser um canal de criação de alternativas para que moradores de periferias pudessem agir no controle da pandemia, partindo sempre da perspectiva territorial e da realidade desses lugares — afirma a coordenadora do projeto.

Com isso, foram feitas reuniões com especialistas e parceiros, como o Projeto de Extensão de Saberes em Saúde da UFRJ, para a criação de pautas específicas, como a necessidade de lavar as mãos e os cuidados em casa, mas sempre partindo do ponto de vista das favelas e suas necessidades.

Além disso, assim como acontecerá na segunda fase da campanha, o foco principal para compartilhar as mensagens sempre foi nas redes sociais, visando, segundo Isabela Souza, alcançar o maior número possível de pessoas.

— Nosso principal foco eram as redes sociais e o WhatsApp. Queríamos que essa campanha chegasse nas pessoas, e com esse conteúdo, elas encontrassem uma denúncia da realidade, mas também alternativas para que pudessem agir. A democratização da dimensão do que produzíamos sempre foi muito importante pra gente — conclui Isabela.

*Estagiário sob a supervisão de Giampaolo Morgado Braga