Obstrução intestinal, como a de Bolsonaro, prevê tratamento clínico e cirurgia só em alguns casos

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·2 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Jair Bolsonaro
    38.º presidente do Brasil

O presidente Jair Bolsonaro foi internado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, nesta segunda-feira com uma suboclusão intestinal, nome dado a uma obstrução intestinal branda, que impossibilita o fluxo natural de alimentos pelo intestino. Segundo médicos, cirurgias são indicadas apenas quando o tratamento clínico não surte efeito.

De acordo com o cirurgião Ben-Hur Ferraz Neto, livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP), a condição pode estar relacionada às quatro cirurgias gástricas pelas quais o chefe do executivo foi submetido nos últimos três anos — no período, Bolsonaro ainda fez uma vasectomia e a retirada de cálculos renais, sem relação direta com o sistema digestivo.

— Para o tratamento é preciso deixar o intestino em repouso. Em grande parte dos casos o tratamento é clínico e não necessita de cirurgia — afirma Ben-Hur.

A abordagem descrita pelo cirurgião, similar à aplicada a Bolsonaro, consiste em suspender a alimentação sólida, manter a hidratação intravenosa, realizar caminhadas — para movimentar o intestino — e instalar uma sonda nasogástrica para drenar o conteúdo do estômago e permitir o descanso do intestino.

O procedimento cirúrgico só é indicado caso esse tratamento mais conservador não dê resultado em cerca de 48 horas, diz o cirurgião do aparelho digestivo Juliano Barra, do Hospital Sírio-Libanês.

— Provavelmente, ele tem um edema (inchaço por acúmulo de líquidos) que diminui o calibre da alça do intestino. Em resumo, é um estreitamento do intestino — explica o médico.

Em casos de suboclusão, diz o especialista, é esperado que a passagem de alimentos no intestino não esteja totalmente fechada, somente reduzida. Trata-se de um impeditivo para a alimentação via oral, mas não um indicativo de necessidade de desobstruir por meio de operação — em que o médico “desdobraria” o intestino. 

De acordo com Barra, é possível que uma pessoa com o histórico de Bolsonaro tenha episódios do tipo durante toda a vida.

Presidente tem histórico recente de procedimentos cirúrgicos

Foto: RAYSA LEITE/AFP via Getty Images
Foto: RAYSA LEITE/AFP via Getty Images

Em julho do ano passado, após uma intensa crise de soluços, Bolsonaro ficou quatro dias internado no Vila Nova Star, também com diagnóstico de obstrução intestinal. Na época, chegou a ser aventada a possibilidade de cirurgia, mas a equipe médica optou pelo tratamento clínico. Depois de três dias sem alimentação sólida, os médicos receitaram dietas cremosa e pastosas para não voltar a incomodar o sistema digestivo.

Bolsonaro foi vítima de um atentado em 6 setembro de 2018, durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Logo após levar uma facada, ele passou por duas operações. Em janeiro de 2019, o presidente realizou o terceiro procedimento cirúrgico, para retirar a bolsa de colostomia que usava havia três meses. Em setembro daquele ano, fez a quarta operação, desta vez para corrigir uma hérnia. 

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos