OCDE convoca países a atuarem de forma coordenada em uma espécie de Plano Marshall

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, durante entrevista sobre o relatório da instituição sobre o desempenho e perspectivas da economia brasileira em 2009

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) convocou neste sábado as nações a agirem conjuntamente com “ambição do Plano Marshall” para lidar com as emergências e efeitos da pandemia de coronavírus na saúde e economia mundial.

“A prioridade mais urgente é minimizar a perda de vidas e saúde. Mas a pandemia também desencadeou uma grande crise econômica que sobrecarregará nossas sociedades nos próximos anos”, afirmou o Angel Gurría, secretário-geral da OCDE em comunicado.

Gurría afirma que as medidas rigorosas e essenciais foram tomadas pelos países, mas que apenas um esforço internacional coordenado vai enfrentar os desafios que estão por vir e sugere ações urgentes e em larga escala em quatro frentes para amortecer o choque econômico e desenvolver um caminho para a recuperação.

Os governos precisam garantir mais cooperação internacional para responder ao desafio da saúde. Indica que as agências reguladoras devem trabalhar juntas para remover obstáculos regulatórios para vacinas e tratamentos.

Os governos devem adotar políticas conjuntas, em vez de tomá-las de maneira descoordenada. Os gastos imediatos devem focar em cuidados com saúde, com testes extensivos, fornecimento de materiais como máscaras e respiradores, proteção aos grupos de risco e aos profissionais da saúde.Um programa de investimento bem planejado - coordenado entre países - principalmente em pesquisa em saúde, desenvolvimento e infra-estruturas, deve receber prioridade após o auge da crise.Apesar das medidas dos bancos centrais para apoiar a economia, a regulamentação e supervisão financeira demandam coordenação para produzir melhores resultados.

Na avaliação da OCDE o coronavírus será responsável pelo "terceiro e maior choque econômico, financeiro e social do século XXI", após o 11 de setembro e a crise financeira global de 2008.

"Precisamos de um nível de ambição semelhante ao do plano Marshall - que criou a OCDE - e uma visão semelhante à do New Deal, mas agora em nível global", afirmou Gurría.

Fraquezas do sistema

Segundo a OCDE, a crise do Covid-19 expôs fortes fraquezas nos sistemas de saúde, desde o número de leitos de terapia intensiva até o tamanho da força de trabalho, a incapacidade de fornecer máscaras suficientes e a implementação de testes em alguns países, além de deficiências na pesquisa para e fornecimento de medicamentos e vacinas.

Para Gurría, o comportamento dos mercados financeiros reflete a incerteza da situação. "Parece cada vez mais provável que veremos declínios sequenciais no PIB global no atual e nos próximos trimestres de 2020", diz.

No comunicado, a organização ressalta que ainda não é possível ter a dimensão do Covid-19 em países em desenvolvimento países.