Algas marinhas, uma rica e pouco explorada alternativa nutricional

Juan Manuel Ramírez G.

La Paz (México), 25 mar (EFE).- As algas marinhas, uma fonte de alimentação pouca aproveitada e abundante no estado mexicano de Baixa Califórnia Sul, se transformaram em uma alternativa saudável de consumo para pessoas e animais, graças os esforços de pesquisadores do Instituto Politécnico Nacional (IPN).

Com uma grande quantidade de minerais, carboidratos, fibras, aminoácidos essenciais, Ômega 3 e Ômega 6, betacarotenos e vitaminas, as algas podem ser aproveitadas na elaboração de massas, bolos e biscoitos, entre outros produtos, de acordo com os pesquisadores do Centro Interdisciplinar de Ciências Marinhas (Cicimar) do IPN.

"No México temos, aproximadamente, 1.200 espécies de algas marinhas em toda a costa mexicana, mas a península de Baja California (noroeste do país) é especial porque a abundância de algas é maior", disse em entrevista à Agência Efe Margarita Casas Valdez, integrante do Sistema Nacional de Pesquisadores.

"Das algas obtemos produtos de alto valor comercial, como o alginato e o agar, uma espécie de gelatina utilizada tanto na alimentação humana quanto para elaborar produtos farmacêuticos, além de servir de alimento para gado, galinhas poedeiras e camarões", acrescentou.

A pesquisadora destacou que as algas contam com "alto valor nutricional" e são catalogadas como alimentos nutracêuticos, ou seja, "têm grande contribuição nutricional, mas também beneficiam a saúde dos consumidores".

Seus benefícios são reduzir os níveis de lipídios, colesterol e triglicerídeos no sangue, assim como a gordura abdominal. Além disso, o Ômega 3 e o Ômega 6 ajudam no desenvolvimento do cérebro.

Também têm propriedades antibióticas, antivirais, fungicidas, antioxidantes, anticancerígenas, anticoagulantes, antitumorais, hipoglicêmicas (que diminuem o açúcar) e hipocolesterolêmica, e produzem sensação de saciedade.

Para Tonatiuh Chávez, doutor em Ciência Marinha e integrante do projeto, a versatilidade é um grande diferencial.

"São plantas marinhas e, da mesma forma que as terrestres, há uma grande variedade das quais podemos nos alimentar. É fácil de colher, lavar e inserir em diferentes receitas", esclareceu, dando como exemplos o sushi e os caldos.

A equipe científica de Valdez trabalha no Laboratório de Macroalgas na cidade de La Paz, capital de Baja California Sur, onde realizam degustações elaboradas a partir da planta e nas quais são explicadas formas de utilização para ativar a economia local.

O projeto, que começou há 25 anos, em princípio utilizou as algas Sargassum e Macrocystis pyrifera para alimentar cabras, ovelhas e galinhas de forma experimental.

A pesquisadora lembrou que foi feita uma campanha para informar os criadores de gado da região dos benefícios das algas na dieta do gado, principalmente na época de seca.

"Foi comprovado de maneira científica que as galinhas alimentadas com algas marinhas produziram ovos com 26% menos colesterol e o mesmo aconteceu quando foram incorporados à alimentação dos camarões, reduzindo 27% do colesterol nos crustáceos", indicou.

Valdez comentou que no México atualmente só há três espécies de algas para a produção de adubos e aditivos para alimentos colhidas e realmente não existe uma cultura de consumo, como em países do continente asiático.

Nesse sentido, lamentou que sejam desperdiçadas "porque as algas do gênero Ulva são encontradas em todo México e sua contribuição nutricional é enorme". EFE