OEA chama ataques em Brasília de fascistas e pede a membros resposta mais dura

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Golpistas invadem o Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Golpistas invadem o Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - Em sessão extraordinária, a OEA (Organização dos Estados Americanos) condenou nesta quarta (11) o que descreveu como uma mobilização de caráter golpista e fascista em Brasília, após apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) destruírem sedes dos Três Poderes.

Luis Almagro, secretário-geral da OEA, fez coro ao pedido para que se descubra quem financiou os atos. "Essa onda fascista forma parte de um movimento presente em outros países: eles difundem notícias falsas, apropriam-se de símbolos pátrios e desprezam a diversidade."

Reunidos em Washington, onde a organização está sediada, diplomatas dos países-membros disseram reiteradas vezes que as cenas em Brasília não são um fato isolado e pediram que a OEA desenvolva estratégias mais enérgicas para atuar contra movimentos golpistas nas Américas.

A provocação veio do embaixador colombiano na organização. "Eventos desestabilizadores têm de levar a OEA a fazer uma autocrítica em relação ao que fez até agora e o que deve orientar nosso trabalho futuro", disse Luis Ernesto Vargas, que foi apoiado pela representante argentina.

María Cecilia Villagra disse que a organização pode "acabar sendo vista como portadora de uma visão tendenciosa e mero instrumento de discussão política" caso não reencontre sua "sua essência" e adote postura mais enérgica frente a episódios como o de Brasília.

O uruguaio Luis Almagro apontou também a incoerência dos golpistas, que, em suas palavras, integram ideologias ultranacionalistas ao mesmo tempo em que contrariam discursos como o feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua posse, quando defendeu a luta contra a desigualdade e a pobreza.

Representante do Brasil, o diplomata Otávio Brandelli disse que "os lamentáveis atos de violência e vandalismo não serão tolerados". "O Brasil acaba de realizar eleições amplas, livres e democráticas. A posse do presidente Lula constituiu uma celebração da democracia."

Ele chamou a atenção para o número de delegações estrangeiras que vieram para o posse de Lula -foram mais de 70, em especial de países da América Latina e da África-, o que, afirmou, demonstra a confiança da comunidade internacional na democracia brasileira.

O embaixador de Honduras na organização, Carlos Roberto Quesada, alertou que não se sabe em quais outras regiões pode ser replicado um fenômeno semelhante ao que ocorreu no Brasil. "Isso já está virando um mau hábito", disse, chamando presidentes da América Latina a irem ao Brasil caso "seja preciso defender a democracia".

A reunião em caráter urgente foi demandada esta semana pelo presidente do Chile, Gabriel Boric, e o da Colômbia, Gustavo Pedro, dois dos principais aliados de Lula na vizinhança.

Juntos no Palácio de La Moneda, em Santiago, os líderes chamaram as cenas na capital brasileira de um golpe da extrema direita que remonta a outro período histórico: as interrupções na democracia causadas por golpes militares na América Latina entre as décadas de 1960 e 1970.

"O que está em perigo é o pacto democrático nas Américas. Esse não é um problema exclusivamente da América do Sul. O mesmo que ocorreu em Brasília ocorreu em Washington", disse Petro durante visita a Santiago, referindo-se ao 6 de Janeiro nos EUA. "É um golpe da extrema direita contra algo que eles não querem: a democracia."