OEA nega contratação de ex-prefeito salvadorenho que resultou no término de comissão contra impunidade

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(Arquivo) Ex-prefeito de San Salvador, Ernesto Muyshondt, em San Salvador, em 28 de fevereiro de 2021

A OEA negou, nesta segunda-feira (7), ter contratado um ex-prefeito processado em El Salvador, cuja nomeação anunciada como assessor levou o governo salvadorenho a encerrar a comissão contra a corrupção e a impunidade acordada com o órgão regional.

A Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), chefiada por Luis Almagro, explicou que Ernesto Muyshondt não foi contratado pela entidade, como o governo de Nayib Bukele assegurou na sexta-feira ao romper o acordo que criou a Comissão Internacional contra a Impunidade em El Salvador (CICIES).

"Deve ficar claro que o Sr. Muyshondt não teve, não tem e não terá um contrato com a Organização", disse o gabinete de Almagro em nota, observando que "apenas" lhe foi oferecido um contrato honorário que "nunca foi assinado".

“A Secretaria-Geral não quer que isso seja usado como desculpa para que a CICIES deixe o país”, afirmou.

Almagro anunciou no Twitter, na quinta-feira, que Muyshondt, ex-prefeito de San Salvador (2018-2021), "concordou em ingressar na Secretaria-Geral da OEA como assessor".

Um dia depois, Bukele acusou Almagro de promover a impunidade em El Salvador ao nomear um "criminoso" para sua equipe e rompeu o acordo que criou a CICIES, instalada em setembro de 2019 a pedido do governo salvadorenho com assistência técnica da OEA.

Ao rejeitar esta decisão, a Secretaria-Geral da OEA acusou na segunda-feira o governo Bukele de tomar medidas para "impedir o progresso" nas denúncias de corrupção contra ele e de "tentar induzir" a CICIES a investigar "exclusivamente" políticos da oposição.

O gabinete de Almagro destacou "o sufocamento" do gabinete do procurador-geral para a CICIES nas últimas semanas, "restringindo completamente suas possibilidades investigativas".

A decisão de encerrar a CICIES vem em um momento em que a OEA e grande parte da comunidade internacional questionam Bukele por tentar concentrar o poder com a ajuda da Assembleia Legislativa, que no mês passado destituiu um grupo de magistrados e o procurador-geral.

Muyshondt enfrenta processos criminais desde fevereiro de 2020. Ele é acusado de se reunir com líderes de gangues antes das eleições presidenciais de 2014 para negociar, supostamente pagando em dinheiro, o voto desses grupos criminosos nas eleições.

O ex-prefeito do partido Arena, que sempre negou ter negociado com grupos criminosos, foi preso nesta sexta-feira por crimes relacionados às finanças públicas e permanece em uma cadeia policial. O opositor declarou-se um "prisioneiro político" no momento de sua prisão.

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