Oferta de oxigênio venezuelano para Manaus gera crítica de opositores de Maduro

THIAGO AMÂNCIO
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*ARQUIVO* CARACAS, VENEZUELA, 13.09.2019 - O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
*ARQUIVO* CARACAS, VENEZUELA, 13.09.2019 - O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A oferta de oxigênio hospitalar da Venezuela para abastecer a rede de saúde do Amazonas, colapsada pelo novo surto da Covid-19, virou novo ponto de tensão política no país comandado pelo ditador Nicolás Maduro.

Na quinta-feira (14), o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, escreveu em rede social que Maduro autorizou o envio imediato de suprimentos ao Brasil.

"Por instruções do presidente, Nicolás Maduro, conversamos com o governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, para colocar imediatamente à sua disposição o oxigênio necessário para atender a contingência sanitária em Manaus. Solidariedade latino-americana acima de tudo!", afirmou.

Julio Borges, deputado opositor ao governo Maduro e responsável pelas Relações Exteriores do autoproclamado presidente Juan Guaidó, reagiu. Afirmou que há venezuelanos morrendo sem oxigênio, usado agora por Maduro para buscar apoio político e se portar como um líder generoso, não como o ditador e violador de direitos humanos que é, em suas palavras.

À reportagem, Borges diz que "a situação sanitária é verdadeiramente trágica. As pessoas fogem para o Brasil, Colômbia, Panamá, porque não há nada, os hospitais estão em caos. Sem eletricidade, sem água, remédios mínimos. Por isso as pessoas fogem para o Amazonas", diz ele, citando a crise humanitária que levou 6 milhões de venezuelanos a se refugiaram em outros países.

Borges lembra que Maduro enviou recentemente ajuda humanitária para a Bolívia e o faz constantemente com Cuba. "É como uma pessoa que, enquanto um familiar morre de fome, dá comida de presente ao vizinho para parecer que é um homem bom."

Enviar oxigênio a um país com governo hostil a ele, como o do presidente Jair Bolsonaro, significa tentar reverter a imagem que tem por aqui e no mundo todo, diz Borges.

"Quer se mostrar como o líder dos pobres, dos necessitados, dos infectados com coronavírus, quando na verdade é um ditador, violador de direitos humanos, corrupto, e que conseguiu destroçar a Venezuela, um dos países mais prósperos da América, o transformou no país mais pobre da América pela corrupção e pelo crime organizado."

No Twitter, pela manhã, Borges publicou trecho de uma reportagem do portal argentino Infobae que trata da morte de um coronel venezuelano em agosto por falta de oxigênio.

O político escreveu: "Muitos venezuelanos, entre eles oficiais da Fanb (Força Armada Nacional Bolivariana) como o coronel Pedro Ezequiel Romero, morreram por falta de oxigênio nos hospitais do país. Entretanto, a ditadura dá oxigênio de presente a um estado no Brasil para buscar apoio político. Não importa a eles a vida do povo", escreveu.

Assim como Bolsonaro, o Maduro defendeu o uso da cloroquina, medicamento contra malária, para combater a Covid-19, mesmo sem evidência científica.

De acordo com a universidade americana Johns Hopkins, que monitora o avanço da doença no mundo, 1.090 pessoas morreram na Venezuela vítimas da Covid-19, e houve 118,4 mil casos confirmados.

A capital do Amazonas, Manaus, foi a primeira cidade neste ano onde o sistema de saúde não aguentou a demanda de pacientes de Covid-19 e colapsou, assim como na primeira onda da doença no ano passado.

A crise chegou a tal ponto que houve desabastecimento de oxigênio hospitalar nos hospitais, fazendo com que pessoas internadas morressem asfixiadas. Falta de ar é um dos sintomas mais comuns da Covid-19.