Oficial da Aeronáutica morto em Campinas não participou de auditoria das urnas

Urnas eletrônicas são conferidas para as eleições gerais de 2022, em Curitiba (PR), em 24 de junho (Foto: Reuters / Rodolfo Buhrer)
Urnas eletrônicas são conferidas para as eleições gerais de 2022, em Curitiba (PR), em 24 de junho (Foto: Reuters / Rodolfo Buhrer)

Conteúdos nas redes sociais espalham que um oficial da Aeronáutica assassinado em Campinas (SP), integrava o grupo de fiscalização das eleições. As publicações somam mais de 19 mil visualizações no TikTok. O oficial é Ricardo Mendes de Sena, que foi morto na última segunda-feira (7).

A informação, contudo, é falsa. Seu nome não consta em nenhuma das listas de membros nomeados pelo Ministério da Defesa para contribuir com a CTE (Comissão de Transparência das Eleições), criada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Captura de tela de uma publicação em que se alega que o oficial da Aeronáutica morto na última segunda-feira (7) era integrante do grupo de fiscalização das eleições  (Foto: TikTok / Reprodução)
Captura de tela de uma publicação em que se alega que o oficial da Aeronáutica morto na última segunda-feira (7) era integrante do grupo de fiscalização das eleições (Foto: TikTok / Reprodução)

A morte do oficial da Aeronáutica ocorreu em um assalto quando ele estava a caminho do aeroporto de Viracopos para retornar a Brasília (DF), onde morava há dois anos. O caso está sendo tratado pela Polícia Civil de Campinas latrocínio.

Dias após o crime, usuários têm compartilhado nas redes sociais que o militar seria membro do grupo de fiscalização indicado pelo Ministério da Defesa para fiscalizar e auditar o sistema eletrônico de votação. O nome de Ricardo Mendes de Sena, porém, não consta entre os oficiais da Aeronáutica indicados para integrar a comissão. Na portaria nº 4.123 de 2 de agosto deste ano, foram indicados dez integrantes, três deles da Força Aérea:

  • Coronel Wagner Oliveira da Silva

  • Tenente-Coronel Rafael Salema Marques

  • Capitão Heitor Albuquerque Vieira

Após a exclusão de um dos membros pelo TSE, o coronel do Exército Ricardo Sant'Anna, por divulgação de informações falsas sobre as urnas eletrônicas, a Defesa indicou mais nove militares, três deles da Aeronáutica:

  • Major Diego Bonato Langer

  • Capitão Davison Silva Santos

  • Primeiro-Sargento David de Souza França

Procurado pela reportagem do Yahoo! Notícias, o Ministério da Defesa não retornou até a publicação desta checagem.

O relatório de auditoria das urnas eletrônicas produzido pelas FFAA (Forças Armadas) foi apresentado ao TSE na última quarta-feira (9). Apesar de o documento informar que não foram encontrados indícios de fraudes, as FFAA alegam que o Tribunal restringiu o acesso dos militares aos dados das urnas e sugeriu melhorias ao sistema.

Esse boato também foi verificado pelo Aos Fatos.