Oi contrata BTG Pactual para preparar oferta por TIM Participações

Atendente na porta de loja da TIM no centro do Rio de Janeiro. 20/08/2014 REUTERS/Pilar Olivares

SÃO PAULO (Reuters) - A Oi contratou o BTG Pactual para viabilizar uma oferta pela TIM Participações, num esforço para não ficar à margem na consolidação em curso no setor de telecomunicações no Brasil e um mês antes de um importante leilão de licenças de telefonia móvel de quarta geração (4G). Em fato relevante no fim da terça-feira, a Oi informou que o banco BTG Pactual atuará como comissário "para, agindo em seu próprio nome e por conta e ordem da Oi, desenvolver alternativas para viabilizar proposta para a aquisição da participação detida indiretamente pela Telecom Italia na TIM Participações". A Telecom Italia detém 67 por cento da TIM Participações. O valor da fatia, a preços de mercado, é de cerca de 18,4 bilhões de reais. A iniciativa da Oi acontece enquanto a espanhola Telefónica e a Telecom Italia travam uma batalha para adquirir a operadora brasileira de banda larga GVT, propriedade da francesa Vivendi. Paralelamente, a Claro passa por processo de unificação de suas operações com Embratel e Net, todas companhias do grupo mexicano América Móvil. A Oi, por estar no meio de um conturbado processo de fusão com a Portugal Telecom, não era vista como provável protagonista na recente rodada de consolidação na indústria de telecomunicações no Brasil. Entre os grandes grupos de telefonia do país listados em bolsa, a Oi é a que tem saúde financeira mais frágil. A companhia encerrou o segundo trimestre com uma dívida líquida de 46 bilhões de reais, enquanto a da Telefônica Brasil, dona da marca Vivo e controlada pelos espanhóis, era de 2,52 bilhões de reais. A TIM Participações tinha endividamento de 1 bilhão de reais no fim de junho. No começo de agosto, a Telefónica anunciou proposta de 20,1 bilhões de reais, ou 6,7 bilhões de euros, para comprar a GVT em dinheiro e novas ações da Telefônica Brasil equivalentes a 12 do capital da empresa combinada após a compra da GVT. Na segunda-feira, quatro fontes disseram à Reuters que a Telecom Italia fará uma oferta de cerca de 7 bilhões de euros pela GVT, que deixará a Vivendi com uma fatia de 15 a 20 por cento no grupo italiano. Todas as movimentações de consolidação ocorrem ao mesmo tempo em que as operadoras de telefonia se preparam para o leilão da frequência de 700 MHz do 4G, marcado para 30 de setembro. O preço mínimo total das seis licenças no leilão é de 7,7 bilhões de reais. Além disso, as empresas terão que gastar 3,6 bilhões de reais na limpeza da faixa, atualmente usada pela radiodifusão analógica. Na semana passada, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reconheceu em entrevista à Reuters que o processo de consolidação no setor tem influência sobre o leilão de 4G, mas disse que o governo não mudará os prazos. "Isso não é problema nosso", afirmou. (Por Cesar Bianconi)

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