Oi registra prejuízo de R$ 9 bilhões e inicia plano de parceria com operadoras regionais

Bruno Rosa
Lojas da Oi no centro do Rio

RIO - Em processo de recuperação judicial, a Oi registrou prejuízo de R$ 9 bilhões no ano passado. O resultado é o oposto do lucro de R$ 24,5 bilhões no ano anterior. A empresa registrou ainda baixa de 8,7% na receita líquida, para R$ 20,1 bilhões, com o menor número de clientes.

A tele carioca chegou ao fim do ano com 53.428 clientes, um recuo de 6,5% em relação a 2018. Houve queda em todos os segmentos, com destaque para a retração de 14,2% no segmento residencial e de 2,9% em telefonia móvel. Com isso, a geração de caixa operacional, medida pelo Ebtida, caiu 23,7%, para R$ 4,464 bilhões.

A desvalorização do real frente ao dólar no ano passado elevou para R$ 18,227 bilhões a dívida bruta da companhia. Foi uma alta de 10,8% em relação ao fim do ano anterior. Por outro lado, com plano severo de corte de gastos, os investimentos tiveram alta de 28,3% para R$ 7,842 bilhões.

“No trimestre, a companhia seguiu acelerando os investimentos em fibra para levar banda larga até a casa do cliente, dando sequência à estratégia de rentabilizar o segmento˜, disse a tele em fato relevante.

Entre as principais operações para reforçar o caixa ao longo do ano passado estão a venda da Unitel, na Angola, por cerca de R$ 4,0 bilhões. A tele emitiu ainda títulos (debêntures) no valor de R$ 2,5 bilhões. Recentemente, a companhia anunciou que está em conversas com a Vivo e a TIM para vender sua operação de telefonia móvel.

Companhia faz parceria com provedores regionais

Para ampliar a cobertura de fibra no país, a Oi vai se juntar a pequenos provedora locais Brasil afora de olho na futura rede 5G. Na quarta-feira, a tele carioca e a MOB Telecom, presente em 15 estados, celebraram um memorando de entendimento para ampliar a infraestrutura de rede no interior.

No projeto-piloto, a Oi vai fornecer rede (backbone) e a transmissão para o parceiro, que fica responsável por todas as etapas dos serviços aos clientes, como atendimento, oferta de produtos, canais de venda, faturamento e cobrança, além da instalação da última milha de fibra até a residência.

Em um segundo momento, a MOB vai poder usar comercialmente a marca Oi. Ou seja, será uma espécie de franquia. Para a Oi, o segmento de Atacado é uma das prioridades do plano estratégico da companhia, que tem mais de 370 mil quilômetros de rede de fibra no país. Com a estratégia, a tele consegue gerar valor para a sua rede.

— Pretendemos intensificar a captura de oportunidades —- explicou o CEO da Oi, Rodrigo Abreu.