Oitava vítima de Covid-19 em fábrica da JBS nos EUA foi diagnosticada com resfriado e obrigada a continuar trabalhando

Uma avó de 60 anos, oitava vítima do novo coronavírus na fábrica da JBS em Greeley, no Colorado (EUA), procurou a clínica da empresa, onde foi diagnosticada com resfriado e recebeu ordens de continuar trabalhando. A denúncia foi feita pela filha dela ao site americano "Daily Beast".

Tin Aye era funcionária do frigorífico havia 12 anos quando adoeceu, em março.  "Ela disse: 'Ei, filha, estou com tosse, meu corpo está doendo, tenho dificuldade em respirar'", recordou sua filha, San Twin: "Eu respondi: 'Mãe, isso é um sinal de Covid-19. Você já está no trabalho agora. Você pode ser examinada agora na clínica?'. Ela falou: 'Acabaram de me dizer que tenho um resfriado normal e que tenho que voltar ao trabalho. Vou voltar ao trabalho'".

 

 

 

Twin, que estava grávida de nove meses na época, foi a primeira da família a fazer o teste de coronavírus, após reclamar com o médico sobre sintomas característicos. Quando recebeu o resultado positivo, sabia que só poderia ter pego de sua mãe e insistiu que ela fosse a um hospital imediatamente. Aye foi hospitalizada em 29 de março, um dia depois que sua filha deu à luz o primeiro filho em uma cesariana de emergência. Aye foi internada antes que pudesse ver o primeiro neto, Felix. Permaneceu intubada no CTI por quase 50 dias antes de morrer, no último sábado.

"Estamos profundamente tristes com a perda de nossa fiel funcionária", afirmou a JBS em um comunicado, publicado pelo jornal "Daily Mail": "Oferecemos e continuaremos oferecendo apoio à família durante esse período. Nossa solidariedade vai para todos que foram impactados pela Covid-19. Se tiverem dito a Sra. Aye para trabalhar enquanto estava doente, isso seria uma violação clara da política da empresa e de nossa cultura como organização. Estamos investigando a situação dela para garantir que tomemos as medidas corretas".

 

 

 

A nota da JBS diz ainda que a empresa tem inúmeras políticas de saúde e segurança em vigor e não quer que pessoas doentes vão trabalhar: "Ninguém é forçado a vir ao trabalho e ninguém é punido por estar ausente por motivos de saúde. Além disso, se algum membro da equipe tem medo, pode simplesmente ligar para a empresa e nos informar e receberá uma licença sem vencimento, sem qualquer consequência para o emprego. Todos os membros da equipe em Greeley também podem ser testados se assim o desejarem".

A fábrica em Greeley já havia confirmado casos de coronavírus na época em que Aye adoeceu, e o sindicato que representa seus trabalhadores acusou a JBS de não proteger os funcionários e de incentivá-los a trabalhar doentes. Pelo menos 321 empregados da fábrica testaram positivo para Covid-19. A JBS fechou a planta por duas semanas em abril e a reabriu após limpar a instalação e implementarprecauções destinadas a impedir que o vírus se espalhe.

Em todo o país, pelo menos 10 mil trabalhadores de frigoríficos foram infectados e 30 morreram, segundo o United Food and Commercial Workers, que representa muitos empregados do setor. Como resultado, dezenas de grandes fábricas de carne vermelha em todo o país foram forçadas a fechar temporariamente, interrompendo as cadeias de fornecimento.