Oito anos após ser revitalizada, praça Júlio de Mesquita, no centro de SP, sofre com depredação

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 27-09-2021 - FONTE PRAÇA JULIO MESQUITA - Fonte da Praça Julio de Mesquita está toda detonada. vidros quebrados e vandalismo por toda parte. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 27-09-2021 - FONTE PRAÇA JULIO MESQUITA - Fonte da Praça Julio de Mesquita está toda detonada. vidros quebrados e vandalismo por toda parte. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Oito anos após ser revitalizada pela Prefeitura de São Paulo, a praça Júlio Mesquita, na República (região central da capital paulista), está abandonada. Sua fonte, chamada de Monumental, e a primeira escultura de rua esculpida por uma mulher na cidade, que deveria jorrar água, não funciona; metade dos vidros que cercavam o monumento estão no chão; outros, que ainda estão em pé, estourados. Há sujeira por todos os cantos.

Localizada no triângulo formado pela avenida São João, alameda Barão de Limeira e rua Vitória, o ponto é rodeado de hotéis, prédios residenciais e alguns comércios. Alguns moradores culpam vândalos pela condição do espaço, enquanto outros entendem que a situação é uma deficiência do poder público. Em nota, a prefeitura informou ter um projeto para revitalização do local, mas não forneceu mais detalhes.

Nem mesmo o grupo Guardiões da Praça Júlio Mesquita, com cerca de 15 pessoas que atuam pela conservação do local, consegue evitar a degradação.

Segundo a prefeitura, a praça foi fundada em meados do século 20 com o nome de praça Vitória. Em 1927, ela recebeu a fonte Monumental, obra de Nicolina Vaz. Depois, teve seu nome mudado para praça Júlio de Mesquita, em homenagem a Júlio César Ferreira de Mesquita, um dos fundadores do jornal O Estado de S. Paulo.

Há oito anos, ao anunciar o término da reforma, a prefeitura publicou, em seu site, que, além da fonte, havia sido implantado um tapete verde, com o plantio de 700 m² de grama e mudas, para dar uniformidade e acabamento ao local. Devido a antigos atos de vandalismo, uma base da GCM (Guarda Civil Metropolitana) faria a segurança. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em agosto de 2012 informou que a revitalização da fonte custaria R$ 412 mil. Dois anos depois, uma nova reportagem dava conta da destruição de um dos vidros de proteção.

O cenário visto agora, que conta com moradores de rua usando o monumento como varal para aproveitar o sol e secar suas roupas molhadas, é bem diferente do visto em julho de 2013, quanto até luzes iluminavam a fonte. Moradores apontam que o monumento não emana água há pelos menos três anos.

"Não tem segurança. As pessoas levam os ferros [que sustentam as placas de vidro] para vender e deixam os vidros no chão. Essa praça é muito importante. Precisa conservação e segurança", disse o aposentado Júlio Justino, 67 anos. "As pessoas fazem as necessidades, a prefeitura vem e limpa. Vai embora, e eles fazem de novo", relatou Justino.

Já o professor Victor Hugo Arantes, 28, entende que os atos de vandalismo não são apenas cometidos pelas pessoas, mas também pelo desinteresse da administração municipal com o local. "É resultado de projeto público que não se importa com o espaço público.”

Arantes aponta que passou a morar em um apartamento com vista para a praça em 2019, quando ainda todos os vidros estavam intactos, mas que, há cerca de dois meses, a situação da praça piorou.

"A fonte está aí, não sei por qual motivo ter o vidro num objeto que era para o público. Era para ter água nela. O fato de estar fechada com o vidro e não funcionar colabora para que as pessoas queiram quebrar."

O horário do almoço já batia na porta quando a copeira Tharlenne Lima Nascimento, 34, e duas amigas tentaram se abrigar do sol sob uma árvore. Sem local para sentar, elas tiveram que se contentar em descansar no concreto que serve de canteiro para o arbusto. "Falta banco, mais limpeza e um projeto para morador de rua. Não adianta a praça ficar limpa, linda, com os moradores de rua sem ter para onde ir", disse Tharlenne.

Morador do bairro há mais de duas décadas, o jornalista José Domingos Filho, 68, conhecido como Domingos Poeta, afirmou que tem buscado ajuda para o local. Um dos membros dos Guardiões da Praça Júlio Mesquita e presidente da recém-criada Associação Amigos de Bairro de Campos Elíseos e Adjacências, ele diz ter encaminhado, nesta segunda-feira (27), um pedido de providências à Câmara Municipal. "Por descaso dos nossos dirigentes e vandalismo, está sendo destruída. Eles [vândalos] estão roubando as ferragens para vender nos ferros-velhos", diz um trecho da mensagem.

REPOSTA

Procurada, a gestão Ricardo Nunes (MDB) informou que “a praça e a fonte sofreram atos de vandalismo, com elementos furtados, que danificaram a estrutura do vidro e as luzes. A recuperação das avarias demandou um projeto, que está em andamento, para a revitalização do local”.

Ainda segundo a prefeitura, “a limpeza é realizada com frequência pelas equipes da Subprefeitura da Sé, de duas a três vezes por dia, de acordo com a necessidade”.

Sobre moradores de rua, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social sustentou que a equipe do Serviço Especializado de Abordagem Social República abordou, entre agosto e setembro de 2021, 40 pessoas em situação de rua na praça Júlio de Mesquita e as principais avenidas do entorno. “Foram contabilizados 20 encaminhamentos para almoço, sete encaminhamentos para pernoite, cinco orientações e oito recusas.”

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