Oito civis morrem em bombardeios no leste da Ucrânia; ONU documenta centenas de prisões arbitrárias no país

Oito civis morreram e 17 ficaram feridos em bombardeios russos na quinta-feira (8) contra a cidade de Bakmut, no leste da Ucrânia, declarou nesta sexta-feira (9) o governador regional Pavlo Kirilenko

"Bakmut foi a cidade mais afetada: oito pessoas morreram e 17 ficaram feridas", indicou Kirilenko no Telegram.

"Vinte casas, seis edifícios, quatro lojas, a Casa da Cultura e do centro administrativo da cidade foram danificados" pelos bombardeios, acrescentou.

No Donbass, uma região de mineração no leste da Ucrânia onde ocorreram os combates mais intensos dos últimos meses, Kiev anunciou na quinta-feira que avançou de 2 a 3 quilômetros perto de Kramatorsk e Sloviansk e retomou a cidade de Ozerne, 45 quilômetros ao norte de Bakmut.

A Ucrânia também reivindicou uma série de sucessos no nordeste, leste e sul do país, alegando ter reconquistado territórios e várias cidades, especialmente em torno de Kharkiv.

Essas conquistas são as mais importantes para a Ucrânia desde a retirada das tropas russas dos arredores de Kiev no final de março. As autoridades ucranianas não divulgaram os nomes das áreas reconquistadas.

O Kremlin, por sua vez, recusou-se a comentar os anúncios ucranianos.

O Exército russo enviou veículos blindados e armas como reforço na região ucraniana de Kharkiv, onde Kiev lidera sua contraofensiva, disseram agências de notícias russas nesta sexta-feira, com base em imagens transmitidas pelo Ministério da Defesa.

Um funcionário da administração de ocupação de Moscou na região, Vitali Gantchev, disse à televisão russa que "combates ferozes" estavam em andamento em torno da cidade de Balaklia, que Kiev disse ter recuperado.

"Reforços da Rússia foram enviados para lá", disse o funcionário.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, afirmou nesta sexta-feira que a decisão russa de enviar reforços para a região ucraniana de Kharkiv mostra que a Rússia paga um "preço enorme" por sua ofensiva.

"Há um grande número de forças russas que estão na Ucrânia e de uma forma lamentável, trágica e horrível, o presidente [Vladimir] Putin mostrou que vai colocar muita gente nisso, a um preço enorme para a Rússia", disse ele.

Blinken fez essas observações na sede da Otan em Bruxelas após conversas com o secretário-geral da aliança militar ocidental, Jens Stoltenberg.

- Prisões arbitrárias -

A ONU informou, nesta sexta-feira (9), que documentou centenas de detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados pelas forças russas na Ucrânia e 51 detenções arbitrárias pelas forças ucranianas.

Desde o início da invasão ordenada pelo presidente russo Vladimir Putin, o gabinete do Alto Comissariado para os Direitos Humanos reúne informação sobre uma série de violações das quais os prisioneiros de guerra são vítimas.

A tortura, se comprovada em tribunal, "seria um crime de guerra", explicou Matilda Bogner, que chefia a missão de monitoramento de direitos humanos na Ucrânia, em uma videoconferência de Odessa.

Até o momento, as Nações Unidas verificaram que pelo menos 416 pessoas foram vítimas de detenção arbitrária e desaparecimento forçado em território ocupado pela Rússia ou em áreas controladas pelas forças armadas russas e grupos armados afiliados no momento dos eventos.

Destes, 16 foram encontrados mortos e 166 foram libertados.

A missão também documentou 51 prisões arbitrárias e outros 30 casos que podem equivaler a desaparecimentos forçados perpetrados pelas forças de ordem ucranianas.

A ONU obteve "acesso irrestrito" aos locais de detenção controlados por Kiev, enquanto Moscou não permitiu o acesso aos prisioneiros de guerra mantidos em seu território ou em áreas controladas por forças pró-Rússia, disse Bogner.

"Esta situação é ainda mais preocupante porque documentamos prisioneiros de guerra nas mãos das forças armadas russas ou grupos armados afiliados que foram submetidos a tortura e maus-tratos. Em alguns locais de detenção, falta comida, água, saúde e instalações sanitárias adequadas", acrescentou.

As Nações Unidas também estão cientes de pelo menos quatro prisioneiras de guerra grávidas mantidas por Moscou e grupos armados afiliados.

A missão também recebeu informações sobre a terrível situação na prisão de Olenivka, em território separatista no leste da Ucrânia, onde se acredita que muitos prisioneiros de guerra ucranianos sofram de doenças infecciosas, incluindo hepatite A e tuberculose.

Em território controlado pela Ucrânia, a ONU também documentou casos de tortura e maus-tratos de prisioneiros de guerra, geralmente durante sua captura, durante interrogatórios iniciais ou durante sua transferência para campos de internação

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