Oito ou cinco? Flamengo e Fluminense divergem sobre títulos em finais contra o rival; entenda a discussão

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Em março deste ano, Flamengo e Fluminense chegaram a um consenso e unificaram o número de jogos do clássico, no estilo do que é feito no Gre-Nal. Hoje, por exemplo, o Campeonato Carioca será decidido pelo Fla-Flu 433, que começa às 21h05, no Maracanã. Como o jogo de ida foi 1 a 1, nova igualdade leva para os pênaltis. Quem vencer, será o campeão.

Um outro ponto histórico, porém, ainda é motivo de discórdia entre rubro-negros, tricolores e historiadores: as contagens individuais das decisões. Para os primeiros, cada clube venceu cinco vezes o rival em uma final de Estadual. O confronto de hoje seria, portanto, um tira-teima. Nas Laranjeiras, considera-se que o Flu tem vantagem de 8 a 5 nas decisões sobre o Flamengo.

A polêmica está nas três finais defendidas pelo Fluminense, que traria uma vantagem de 8 a 5 para as Laranjeiras: os torneios de 1919, 1969 e 1983. Essa diferença acontece porque a fórmula do Estadual do Rio de Janeiro foi modificada ao longo dos anos e nem sempre um Fla-Flu definiu matematicamente o título. O GLOBO buscou os acervos da época para entender como estes clássicos foram tratados.

Carioca de 1919

Um caso famoso desta discordância está no Carioca de 1919. O Fluminense garantiu matematicamente o troféu após vencer o Flamengo por 4 a 0, no recém-construído Estádio das Laranjeiras. Na ocasião, a vitória fez com que o tricolor não fosse mais alcançado na tabela pelo rubro-negro e pelo Botafogo, que também sonhava com o título. Quem defende a conquista, considera este Fla-Flu uma decisão. Quem não, alega que não existe final em pontos corridos.

— Nos pontos corridos, as finais são avaliadas pelos clubes que têm chance de título. Isso tudo é critério, depende de qual você vai adotar, por isso a confusão. Recentemente, ouvi o argumento de que a final do Carioca de 1995 não era final. Mas quem saísse vitorioso naquele jogo, seria campeão. Era uma final — analisa Sergio Trigo, pesquisador do futebol carioca.

Carioca de 1969

Situação parecida com a de 1969. O Flamengo, então vice-líder, teria que vencer do Fluminense na penúltima rodada para manter as chances. Mas a vitória tricolor por 3 a 2 levou o título para as Laranjeiras faltando uma rodada a ser disputada. A vitória no clássico tirou as chances rubro-negras, mas novamente a fórmula deturpa a discussão.

O Jornal O Globo de 15 de julho de 1969 estampa a capa com o dizer "Fluminense! Ao derrotar o Flamengo, o tricolor conquistou o título de 1969. Já o Jornal 'Última Hora' usa a palavra final para falar do clássico.

— Em 1969, vira aquela discussão de que "se um clube sai campeão, vira decisão". É assim que a gente enxerga? Se for, a decisão tem o Fluminense como campeão e pode ser considerado final. Assim como em 1973, que é parecido com o Flamengo — analisa o jornalista Roberto Assaf.

Carioca de 1983

Por fim, em 1983, o Fluminense disputaria um triangular para definir o título do Campeonato Carioca. Na estreia, o tricolor empatou em 1 a 1 com o Bangu. Posteriormente, venceria o Flamengo por 1 a 0, no que matematicamente definiria o título para a equipe. Se o Fluminense não vencesse, estaria eliminado.

No entanto, a taça só viria a ser confirmada quatro dias depois, porque o já eliminado Flamengo venceria o postulante Bangu e garantiria o título em Laranjeiras. Esta é a decisão mais polêmica e mais debatida entre os dois lados.

— Foram jogos que definiram quem seriam os campeões. Na minha opinião, são considerados finais. Em 1983, (o Fluminense) só foi campeão porque ganhou o Fla-Flu do triangular decisivo. É uma questão de critério. Para mim, como historiador e pesquisador, tem que ser considerado o jogo do título. Pode não ser uma final como em um mata-mata, mas foi o jogo que definiu o título— opina Trigo.

— Em 1983, foi um triangular e dependeu de uma vitória do Flamengo sobre o Bangu, não pode ser considerado final. Se o Flamengo perde, o Bangu faria uma decisão extra, então como seria uma final antes? Essa não tem como discutir — completa Assaf.

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