Sem Olavo, qual o futuro do olavismo no governo Bolsonaro?

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Brazilian writer Olavo de Carvalho arrives for the showing of a documentary on the government of Brazilian President Jair Bolsonaro in Washington, U.S.,  March 16, 2019.      REUTERS/Joshua Roberts
Olavo de Carvalho arrives durante evento em Washington, nos EUA. Foto: Joshua Roberts/Reuters

Jair Bolsonaro, presidente que se nega a comentar a morte de compatriotas por Covid-19 sob a justificativa de que não é coveiro, decretou luto oficial de um dia pela morte do escritor Olavo de Carvalho. Dele ninguém esperava condolências por óbitos recentes de personalidades, como a cantora Elza Soares. Uma palavra bastava. Nem isso ocorreu.

A deferência não é movida pelo medo de o ideólogo do governo e professor de seus filhos voltar para puxar os seus pés durante a noite e repetir que, se quiser, “derruba a merda desse seu governo”, como já fez em vida.

O que Bolsonaro pretende é acenar à sua base. A base que Olavo serviu para mobilizar através das chamadas guerras culturais.

Em seus últimos dias, o escritor autoproclamado filósofo não perdia chance de alfinetar o presidente e seu governo.

Queixava-se de abandono por não receber apoio diante de inúmeros processos recebidos por sua metralhadora verbal. Como quando chamou Caetano Veloso de “pedófilo”, foi processado e condenado a pagar uma indenização milionária ao cantor. O processo deve ser herdado pelos filhos.

Olavo vaticinou, em sua última aparição, que a batalha pela reeleição de Bolsonaro estava perdida. Ele já havia chamado o presidente de “burro” e “fraco”.

O guru sempre defendeu que Bolsonaro deveria “radicalizar” o governo e partir para um confronto aberto com forças que, aos poucos, foram aninhadas ao bolsonarismo. Como o centrão.

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Desde o começo do governo a chamada ala radical também se tornou foco constante de atrito com a ala militar.

Na queda de braço, deixaram o Planalto integrantes olavistas do primeiro escalão como Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Abraham Weintraub (Educação). Este último, por exemplo, virou dor de cabeça para Bolsonaro desde que voltou ao Brasil e deixou clara a sua vontade de disputar o governo de São Paulo. Bolsonaro tem outros planos para o estado.

Erra quem pensa que o afastamento do trio demonstra o rompimento do governo com Olavo e sua cartilha – resumida na estratégia de xingar o adversário quando chamado à razão, como explicitou o próprio Weintraub em uma oportunidade.

Nas camadas subterrâneas do governo o que não falta é comandado que ainda hoje trabalha com a camisa “Olavo tem razão” debaixo do paletó. Filipe Martins, assessor de Bolsonaro para assuntos internacionais, é um deles. Bia Kicis e outros deputados da base extremista, também.

Eles serão a prova de que as marcas deixadas pelo ideólogo seguirão à vista, como tatuagem.

Antes de morrer, Olavo deixou textos ainda a serem publicados.

Passada a comoção, sua morte deve deve fortalecer a aura de “farol” das forças conservadoras, para citar uma alegoria usada por Bolsonaro ao prestar condolências ao guru.

Nas redes, há quem leve a sério a ideia de iniciar o processo de canonização do escritor devido ao número de conversões ao catolicismo que ele promoveu entre os alunos –numa conta conservadora, ele teve mais de 20 mil alunos durante o tempo em que promoveu cursos de filosofia online.

É um exército, agora órfão, disposto a transformar o velho guru em uma entidade mística a quem seguirão manifestando obediência e devoção.

Bolsonaro precisa dessa base energizada para manter aceso o seu próprio “mito” – o de messias encarregado de anunciar a verdade e restaurar a ordem num mundo dominado pelos maus. Esses males estavam nomeados por Olavo de Carvalho antes de Bolsonaro se tornar um candidato a presidente que precisasse ser levado a sério: marxismo cultural, ideologia de gênero e outros monstros que habitavam a cabeça do escritor.

Sem Olavo, o bolsonarismo perde um guru e um crítico cada vez mais feroz. Mas o olavismo seguirá dando as rédeas por muito tempo entre quem encontrou nas duas seitas pontos indissociáveis de conexão.

A não ser que, como vaticinou para a coluna de Malu Gaspar, em O Globo, a filha do escritor, Heloísa de Carvalho, rompida há anos com o pai, as disputas por seu espólio criem uma guerra entre diferentes alas até a autoimplosão. “Agora muitos podres surgirão. É só aguardar. Daqui a pouco as baixarias se tornarão públicas”, prevê.

A conferir.

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