Óleo no Nordeste: Ibama diz que manchas chegarão ao Rio em 'questão de dias'

Manchas chegaram à região Sudeste na semana passada. (Foto: REUTERS/Lucas Landau)

Técnicos do Ibama (Instituto Brasileiros do Meio Ambiente) estimam que as manchas de óleo que assolam as praias do Nordeste brasileiro chegarão “em questão de dias” ao Rio de Janeiro. Um plano de ações já foi montado pelo governo de Wilson Witzel (PSC) para tentar minimizar os impactos do desastre.

As informações são do HuffPost Brasil.

As manchas chegaram à região Sudeste, mais precisamente no Espírito Santo, na semana passada. Na quinta-feira (7), pequenos fragmentos de óleo foram recolhidos na praia de Guriri, em São Mateus (ES), a cerca de 85 quilômetros ao norte de Linhares.

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Após ter se espalhado pelos nove estados nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), o produto de origem ainda desconhecida avança pela região Sudeste em direção ao sul.

Diante da avaliação do Ibama, o governo do Rio montou o “Plano de Emergência para o Surgimento de Óleo em Praias”, organizado em três etapas: vigilância, monitoramento e resposta. A 1ª parte, de vigilância, já estaria em andamento, segundo o HuffPost Brasil.

Cerca de 200 pessoas espalhadas em 25 cidades costeiras fluminenses já foram capacitadas.

NOVO NAVIO SUSPEITO

O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) encontrou uma nova imagem que pode ser determinante para chegar a um outro navio suspeito de derramar o óleo encontrado nas praias do Nordeste e do Espírito Santo. Para a equipe deste laboratório, a embarcação responsável pelo crime ambiental não é o petroleiro Bouboulina, apontado pelo governo brasileiro como principal suspeito pelo crime.

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A nova imagem do satélite Sentinel-1A, encontrada na última sexta-feira, mostra uma mancha de grande proporção que teria aparecido no dia 19 de julho de 2019, na costa leste do Nordeste brasileiro, a 26 km do litoral da Paraíba. Os primeiros relatos de chegada de óleo na costa brasileira são de 30 de agosto. A grande mancha captada pelo satélite tem cerca de 25 km de extensão e 400 metros de largura.

Uma imagem anterior, divulgada no início de novembro com base em três satélites — Sentinel 1-A, Aqua-Modis e NOAA-20 Viis), mostrou uma grande mancha de óleo a 40 quilômetros de São Miguel do Gostoso (RN). Foi o suficiente para o Lapis concluir que cinco navios gregos, incluindo o Baubolina, não tiveram relação com o incidente, já que cumpriam uma trajetória diferente. A organização americana Skytruth concordou com a análise, questionando, assim, as investigações da Marinha e da Polícia Federal.

“Com base em dados de geointeligência marinha, cruzados com informações de satélites, o Lapis concluiu ter havido comportamento atípico, no percurso do navio, pela costa norte do Nordeste brasileiro, no período anterior a 28 de julho. A bandeira da embarcação suspeita não é grega. Todos os seus dados serão repassados, pelo Lapis, ao Senado Federal, no próximo dia 21 de novembro. Na ocasião, haverá uma audiência pública da Comissão Externa que acompanha as investigações sobre a poluição por óleo no Litoral do Nordeste”, disse em comunicado o cientista Humberto Barbosa, chefe do Lapis.

Segundo os pesquisadores, a partir da análise das imagens de satélites, que mapearam o oceano nos dias 19 e 24 de julho, foi possível rastrear todos os 111 navios-tanques que transportavam óleo cru nessas datas pela costa norte do Nordeste brasileiro. E os cientistas do Lapis afirmam que, de todas as embarcações analisadas, apenas uma “apresentou evidências de que algum incidente pode ter ocorrido durante seu trajeto, podendo ser a provável fonte do óleo que polui o Litoral brasileiro”.

A suspeita de que algo errado possa ter acontecido está baseada no itinerário realizado pelo navio em julho. O navio costumava fazer o trajeto de um país asiático até a Venezuela, pela África do Sul, com o transponder devidamente ligado, ou seja, o aparelho que indica sua localização durante todo o percurso.

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