Palhaços holandeses levam diversão a regiões carentes na África do Sul

Nerea González.

Johannesburgo, 30 out (EFE).- Uma vez por ano, Bluf, Pluum e Puk, três palhaços holandeses que na verdade se chamam Jans Koopmans, Willem Hans Elbrecht e Peter Vrinds, fazem as malas e colocam nariz vermelho, boias enormes e lenços coloridos e vão à África do Sul para se apresentar para crianças que jamais foram a um circo ou viram personagens como os deles.

Os três formam a organização sem fins lucrativos Africlowns, criada há 16 anos por Elbrecht na Holanda. Neste mês eles fizeram a nona visita a Johannesburgo, e as escolas dos bairros mais pobres da cidade são parada obrigatória.

"A gente podia se apresentar em hospitais da Holanda ou coisa assim, mas na África tem tantas crianças precisando ver algo extraordinário... Por que não fazer as apresentações aqui? No início, pensava 'não trago comida', 'não faço casas', mas construímos boas lembranças. Aqui existem muitos problemas, mas acho que assim elas podem ser crianças de novo. É um direito poder se divertir", contou Elbrecht, ainda com a respiração ofegante, depois de se apresentar para 400 crianças de 4 a 12 anos em uma escola católica no bairro de Yeoville.

As apresentações começam com os crianças sentadas em silêncio, sob olhares atentos dos professores. Os palhaços ainda nem apareceram e os rostos se iluminam quando elas ouvem, ao fundo, o som do clarinete de Vrinds.

De repente, um mar de gargalhadas. É Bluf que está entrando e fica entalado quando tenta passar pela porta com uma boia gigante em formato de flamingo rosa. Não demora muito e, de comportados alunos, as crianças passam a cantar, aplaudir e rir sem parar. Para muitas, essa é a primeira vez em que veem um palhaço ao vivo.

"As crianças adoraram. É muito bom para elas ter algo assim, novo", disse à Efe a diretora da escola, Martha Mente, que tem alunos de vários países do continente, entre eles Angola, Zimbábue e Congo.

Ela contou que as infraestruturas e os prédios de Yeoville eram bons, mas a imigração em massa das últimas décadas a Johannesburgo fez com que apartamentos que antes eram ocupados apenas por uma família agora tenham quatro ou cinco.

"Tem gente que mora em varandas. A escola é o espaço seguro das crianças porque em casa é ainda pior", explicou.

Além de Yeoville, o grupo fez apresentações em algumas escolas de Soweto e em um hospital infantil, por exemplo.

Professor em tempo integral, assim como Koopmans, Elbrecht usa as férias para fazer as viagens. Vrinds, por sua vez, trabalha com pessoas com necessidades especiais.

"Para mim, isso é como recarregar as energias. Você dá um pouquinho e recebe muito mais em troca. Às vezes é um trabalho duro, mas muito engraçado", afirmou o fundador da Africlowns.

A organização se sustenta basicamente com doações, muitas delas de pessoas próximas aos palhaços.

"Não precisamos de muito dinheiro, só para o voo e para a estadia aqui", argumentou.

Ainda que a ideia inicial seja levar a Africlowns a vários países do continente, as atuações têm se concentrado na África do Sul até agora.

"Na primeira vez que vim, deixei meu coração aqui. O país é divertido, mas também difícil. Foi aqui onde fiz os meus primeiros contatos, mas há muitos lugares para visitar ainda", afirmou Elbrecht. EFE