De olho em 2022, Bolsonaro e Lula buscam apoio em Minas Gerais

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RIO — De olho no segundo maior colégio eleitoral do país, os principais pré-candidatos à Presidência em 2022 — o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula — acompanham de perto a movimentação do governador Romeu Zema (Novo) e do prefeito Alexandre Kalil (PSD) na disputa ao governo de Minas Gerais.

Único governador eleito pelo Novo em 2020, Zema conseguiu a vitória ao se aproximar de Bolsonaro. Para a próxima eleição, no entanto, a aliança entre os dois ainda não pode ser dada como certa. O mineiro foi aconselhado a se afastar do presidente para evitar que seja atingido pela queda de popularidade dele e alterna acenos e críticas ao mandatário. Zema fez duras críticas ao governo federal em relação ao combate à pandemia da Covid-19 e, recentemente, rebateu os ataques que Bolsonaro fez contra governadores sobre o preço dos combustíveis.

Na última visita presidencial a Minas, porém, em um gesto simpático a Bolsonaro, Zema tirou a máscara para ficar ao lado dele no palanque.

O Novo também já anunciou seu pré-candidato à corrida presidencial, o cientista político Luiz Felipe D’Avila, fundador do Centro de Liderança Pública (CLP). Zema, porém, não descarta o apoio à reeleição de Bolsonaro em eventual segundo turno.

Lula, por sua vez, falou sobre Kalil em entrevista coletiva no início do mês, em Brasília. O petista disse que vê o prefeito da capital mineira como um bom candidato para disputar contra Zema. No entanto, afirmou que Kalil precisa começar a se mexer desde já para a campanha.

— Kalil tem chance de competir, mas o Zema está forte nas pesquisas, e Kalil precisa de arrojo para acompanhar — disse Lula, que também afirmou: — Kalil está descobrindo que Minas é maior que BH, e ele vai ter que trabalhar com afinco no estado. Me parece que ele não está viajando ainda. Eu acho que ele tem que viajar o estado, porque se ele não viajar, o Zema tá viajando muito. Ele está indo para muita padaria.

O prefeito já confirmou que tem interesse em concorrer ao Palácio da Liberdade, mas que ainda não é o momento para falar sobre isso devido à crise sanitária. Belo Horizonte foi uma das capitais que mais adotou medidas restritivas para conter o avanço do vírus — o que fez com que Kalil se tornasse oposição a Bolsonaro, a quem criticou pela falta de coordenação na pandemia.

Em relação a Lula, o ex-presidente do Atlético Mineiro também já teceu críticas. Segundo o prefeito, o PT deveria dar explicações sobre as denúncias de corrupção na Petrobras. Nos bastidores, porém, Kalil admite uma possível aliança entre os dois em eventual segundo turno na eleição presidencial.

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