De olho em votos, PL ignora denúncias contra Gabriel Monteiro empurra expulsão 'com a barriga'

Pelos mais de 500 mil votos que Gabriel Monteiro deve amealhar nas eleições deste ano, o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, "empurra com a barriga" a expulsão do vereador, antes dada como certa. Caso o vereador saia da legenda, o PL será obrigado a recalcular a sua nominata: a aposta inicial era que, com o votos dele, o partido conseguisse eleger 15 deputados para a Câmara ou 18 para a Assembleia Legislativa (Alerj), já que monteiro poderia puxar até outros três nomes. Parte dos dirigentes do partido aposta na manutenção do mandato e na elegibilidade de Gabriel Monteiro, a despeito do processo que pode culminar na cessação do parlamentar por acusações que incluem supostos abusos sexuais contra menores.

Presidente regional do PL, o deputado federal Altineu Côrtes confirma que o partido reviu os planos inciais de expulsá-lo imediatamente e espera alguma manifestação oficial para tomar uma decisão.

- Não vamos nos antecipar aos fatos. Caso o Ministério Público ou a Polícia do Rio tenham alguma decisão sobre este caso, nos manifestaremos. Até lá, acompanhamos e aguardamos - resume.

Atualmente, a Comissão de Ética da Câmara Municipal do Rio, que analisa as condutas de Gabriel Monteiro, é presidida pelo vereador Alexandre Isquierdo (União Brasil), que coordena a interlocução entre líderes evangélicos e a campanha à reeleição do governador Cláudio Castro, que também é do PL. Ex-secretário de Polícia Civil durante o governo do Castro, Allan Turnowski é um dos homens de confiança do governador que integra a nominata do partido e poderia ser eleito na esteira dos votos de Monteiro.

Em abril, a expulsão dele era dada como certa nos bastidores do partido, diante das denúncias então recém apresentadas. Deputados, prefeitos e senadores filiados ao PL, de todo o Brasil, fizeram pressão para que o partido excluísse o nome de Gabriel Monteiro rapidamente. Filiado ao PL em março, Gabriel era disputado por vários partidos e tido como o grande puxador de votos desta eleição.

Como precisa estar filiado a um partido pelo menos seis meses antes das eleições, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele não terá tempo de buscar outra legenda e ser elegível, caso seja expulso. Hoje, os caciques do PL não temem que o processo que pode levar à cassação do vereador possa gerar desgastes ao presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição.

Vereador se tornou réu

Em maio, a Justiça do Rio aceitou a denúncia do MP e tornou Gabriel Monteiro réu no processo que apura o vazamento de um vídeo em que ele aparece se relacionando sexualmente com uma menor de 15 anos, da qual é investigado pela 42ª DP (Recreio). No último mês, o Ministério Público do Rio (MPRJ) havia denunciado o parlamentar pelo crime. Agora, o Tribunal de Justiça acolheu o pedido da promotoria. Ao receber a denúncia, o juiz em exercício Marcelo Almeida de Moraes Marinho, do 7º Juizado da Violência Doméstica da Barra da Tijuca, destacou que estão “presentes (na denúncia do MP) pressupostos legais autorizadores do exercício do direito de ação penal”, para que a denúncia fosse aceita.

Na denúncia remetida à 28ª Vara Criminal da Capital, em 8 de abril, o promotor Marcos Kac, da 1ª Promotoria de Investigação Penal (PIP) da Área Zona Sul e Barra da Tijuca, do Ministério Público do Rio (MPRJ), afirmou que “o denunciado, de forma livre e consciente, filmou através de telefone celular cena de sexo explícito envolvendo a adolescente”.

De acordo com o Artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), quem “adquirir, possuir ou armazenar” qualquer forma de registro que “contenha cena sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente” deve ser punido com pena de até quatro anos de reclusão e multa. O próprio vereador, em depoimento à 42ª DP (Recreio) admitiu que fez a gravação. No entanto, diz que as imagens foram roubadas de seu celular.

Segundo trecho do documento, a vítima – com 15 anos à época – conheceu Gabriel numa academia do Condomínio Mansões, na Barra da Tijuca, onde o vereador mora. O MP narra ainda que os dois trocaram mensagens e que, em determinado momento o vereador convidou a adolescente para ir à casa dele. Também de acordo com a promotoria, passados cinco meses desde o primeiro encontro, o parlamentar usou o próprio celular para filmar a adolescente enquanto eles tinham relações sexuais.

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