De olho na eleição de 2022, Castro promete 'repaginação' nas UPPs, mas sem ocupar novas comunidades

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RIO — O governador Cláudio Castro anunciou, nesta quinta-feira, a intenção de retomar a ocupação de comunidades do Rio a partir do segundo semestre deste ano. A informação, confirmada pelo GLOBO, foi publicada inicialmente pelo blog do jornalista Edimilson Ávila, no portal "G1". O porta-voz da Polícia Militar, major Ivan Blaz, explica que o projeto funcionará como uma espécie de "repaginação" das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que permanecem em atividade em 28 favelas da capital. A princípio, a iniciativa não se estenderá a outros municípios.

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— Ainda não há uma data certa para o início do projeto, mas há a certeza de que estará em operação a partir do segundo semestre. Trata-se de uma reformulação das UPPs, encomendada pelo governador ao secretário de Polícia Militar, coronel Rogério Figueiredo. E a análise do que seria necessário para deixar as UPPs existentes mais efetivas já está em curso — afirmou Blaz.

A iniciativa, segundo Castro, levará diversos serviços às regiões ocupadas, "com o estado presente" - o que, no entender do governador, não aconteceu com as UPPs. A proposta, porém, ainda não está detalhada pelo Palácio Guanabara. O anúncio veio exatamente uma semana depois de uma operação da Polícia Civil que resultou em 28 mortes no Jacarezinho, incluindo a de um policial civil. Entidades de direitos humanos classificam os resultados da incursão como um "massacre" ou uma "chacina".

— É um projeto sobre o qual a gente já vem falando desde o ano passado, estamos trabalhando, e a previsão é que no segundo semestre a gente tenha alguma coisa - limitou-se a dizer Castro, ao participar de um evento público na tarde de ontem, acrescentando apenas que "vai ser diferente das UPPs, mas vamos explicar na hora certa".

No auge do projeto, lançado em 2008, durante a primeira gestão de Sérgio Cabral no governo do Rio, havia 38 UPPs espalhadas pela capital e a Baixada Fluminense. Em meio ao agravamento das crises financeira e política no estado, contudo, os índices de violência voltaram a disparar, e o programa ficou em xeque. O desmonte teve início intervenção federal na segurança pública fluminense, em 2018, quando foi anunciado o fim de diversas bases.

Além de representar uma resposta às críticas após a ação no Jacarezinho, Castro também pretende agradar, com a repaginação das UPPs, parte da base bolsonarista que o apoia na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), para quem a agenda da ostensividade policial é importante. Em reunião no início do mês, o presidente da República, Jair Bolsonaro, pediu para que os parlamentares alinhados a ele votem conforme os interesses de Castro.

No Palácio Guanabara, a remodelagem das UPPs é encarada como "uma ponta da tríade de projetos de segurança" que Castro tratará como prioridade para se manter no cargo, nas eleições do ano que vem. Os programas Segurança Presente e Bairro Presente também terão investimentos e expansões a fim de conquistar parte do eleitorado simpatizante de Bolsonaro.

Na última semana, o governador inaugurou uma nova etapa do projeto Segurança Presente ao lado de deputados bolsonaristas como, por exemplo, Alexandre Knoploch e Fillipe Poubel, ambos do PSL, ex-partido de Bolsonaro. Novas agendas ao lado desse grupo devem ser vistas nos próximos meses.

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