De olho na reeleição em Duque de Caxias, Washington Reis lança candidatos e faz articulações

Marcelo Remigio
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Foto: Eliakin de Moura/Divulgação/10.08.2020
Foto: Eliakin de Moura/Divulgação/10.08.2020

Candidato à reeleição em Duque de Caxias, maior colégio eleitoral da Baixada Fluminense, o prefeito Washington Reis (MDB) chega à reta final da campanha mirando em 2022. Reis, que lidera com folga as pesquisas de intenção de voto, construiu uma estrutura política e econômica de apoio ao seu nome não só para a prefeitura, mas também para o Palácio Guanabara. Na costura política para a formação de sua base, o emedebista lançou candidatos a vereador e firmou alianças para prefeito nas maiores cidades da estado. Conquistou o apoio da família Bolsonaro e de líderes evangélicos, como o pastor Silas Malafaia e o bispo Manuel Ferreira, e fez articulações no Congresso Nacional.

O prefeito ocupou o espaço deixado por lideranças do MDB fluminense que, alvos de operações contra a corrupção, foram parar na prisão. Em nível nacional, Reis tem como um dos principais apoiadores o presidente do partido, Baleia Rossi, que o conduziu ao diretório da legenda no estado vizinho do Espírito Santo. Segundo secretário nacional da sigla, Reis passou também a interventor no diretório capixaba. Num trabalho doméstico, conseguiu eleger em 2018 os irmãos Gutemberg Reis (MDB-RJ) deputado federal e Rosenverg (MDB) deputado estadual, depois ter levado o outro irmão, Júnior (MDB), em 2016, a uma vaga na Câmara Municipal de Caxias. Este ano, em Magé, município vizinho, lançou a irmã, Jane, candidata a prefeita pelo MDB.

Reis — que já passou pela Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa do Rio, Câmara Municipal e busca o terceiro mandato como prefeito (ele foi eleito em 2004 e 2016) — não desligou a máquina da prefeitura. Mesmo sem poder comparecer a inaugurações de obras por causa da lei eleitoral, o emedebista manteve uma rotina de entregas de reformas e construções de praças. Nas duas últimas semanas, foram 35. Pelos cálculos do prefeito, diariamente é concluído 1,5 quilômetro de asfalto na cidade:

— A gente tem como meta a reeleição e continuar nosso trabalho. Essa é a prioridade — diz Reis, ao ser indagado sobre 2022, sem descartar uma eventual disputa ao Palácio Guanabara: — Me guio muito por pesquisas. Dizem: “Ah, o povo quer você governador”. Mas o que vai indicar se ele quer mesmo são as pesquisas. Se eu não estiver bem, nem tento.

De Bolsonaro a Paes

Nas ruas, o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, tem procurado mostrar suas alianças. Recentemente, participou de uma agenda de campanha com o candidato a prefeito do Rio pelo DEM, Eduardo Paes. O ex-prefeito da capital conheceu o Hospital do Olho, inaugurado na gestão de Reis.

A visita de Paes, que rendeu compartilhamento de fotos e de um vídeo nas redes sociais de Washington Reis, foi uma forma de retribuir o apoio de Reis e fortalecer a aliança. O prefeito de Duque de Caxias tem ignorado o candidato à Prefeitura do Rio pelo MDB, vereador Paulo Messina, que não conseguiu decolar e está entre os nomes que patinam na lanterna.

Washington Reis evita vincular suas alianças a 2022. Justifica a ajuda e o lançamento de candidatos a eleições anteriores:

— Estou retribuindo o apoio dado às candidaturas de meus irmãos deputados e vereador. É uma forma de reconhecer a ajuda — afirma.

Reis, apesar de ser do MDB, ganhou o apoio da família Bolsonaro à sua reeleição. A aliança foi articulada pelo filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), já que Duque de Caxias está entre as cidades prioritárias para a família, que quer os principais colégios eleitorais do estado comandados por aliados. Na negociação, quem saiu perdendo foi o candidato do PSL, Marcelo Dino, que vinculava seu nome ao do presidente da República.

Em agosto, Reis recebeu a visita de Flávio, que participou da inauguração do viaduto de Gramacho. Foi o senador que fez parte da articulação, em 2019, para a liberação de empréstimo de R$ 150 milhões para a obra, por meio da Caixa Econômica Federal.

Nove disputam a cadeira de prefeito

Nove candidatos disputam a Prefeitura de Duque de Caxias. Além do emedebista Washington Reis, que teve a candidatura deferida com recurso, concorrem ao cargo de prefeito Aluízio Júnior, Andréia Zito (PP), Dica (PL), Ivonete Silva (PSOL), Marcelo Dino (PSL), Professor Gutemberg (PV), Samuel Maia (PCdoB) e Zumba (PSB).

Na lista de candidatos a prefeito há velhos conhecidos do eleitorado de Duque de Caxias, como Andréia Zito, ex-deputada federal , que busca retomar o poder político de sua família. Ela é filha do ex-prefeito José Camilo Zito, que nos anos 1990 chegou a ser chamado de Rei da Baixada após eleger o irmão Waldir prefeito de Belford Roxo e a ex-mulher, Narriman, prefeita de Magé.

Ex-deputado estadual, Dica tentará pela quarta vez chegar à cadeira de prefeito. Já Marcelo Dino, deputado estadual, foi vereador por duas vezes. Em 2016, concorreu como vice-prefeito na chapa do DEM, mas não conseguiu sucesso. O parlamentar tenta ser prefeito pela primeira vez. Dino tinha a simpatia da família Bolsonaro. Mas acabou perdendo o apoio para Reis. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), que articulou alianças na Baixada, optou pelo prefeito após o deputado não conseguir engrenar nas pesquisas de intenção de voto e a família romper com o PSL.

Duque de Caxias tem 925 mil habitantes e um eleitorado de 658 mil. Possui um orçamento de R$ 3 bilhões e é o sexto município mais violento do estado, segundo o Atlas da Violência, do Ipea.