Olimpíada: no atletismo, Thiago André virou velocista de tanto correr atrás de pipa

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Na delegação brasileira de atletismo, dois velocistas da Baixada Fluminense se destacam. Nascido e criado em Belford Roxo, o atleta Thiago André, de 25 anos, disputa nesta sexta-feira, às 21h50 (horário de Brasília), a prova dos 800m rasos. Ele ainda retorna às pistas no dia 2 de agosto para competir na categoria 1.500m. Thiago é o atual campeão sul-americano nas duas modalidades. No ano passado, numa prova na Alemanha, ele chegou a quebrar um dos recordes mais antigos do atletismo brasileiro na modalidade de 1.500m indoor ao atingir o tempo de 3min40s59, batendo o recorde de Agberto Guimarães, de 3min42s70, na Grécia, em 1989.

O outro atleta nascido na Baixada Fluminense é o sargento Jorge Vides, de 28 anos, que disputa a prova de 200m na próxima segunda-feira, dia 2 de agosto, às 23h (horário de Brasília). Ele retorna às pistas na quarta-feira, dia 4, para a prova do revezamento 4x100m, às 23h30 (horário de Brasília), junto com os velocistas Felipe Bardi, Paulo André, Rodrigo Nascimento e Derick de Souza. Jorge foi campeão mundial de revezamento 4x100 em 2019 e ouro nos jogos Pan-Americanos de Lima, no mesmo ano. Abaixo, veja um pouco mais sobre os dois atletas.

Do futebol para as pistas

Nascido em São João de Meriti, o velocista Jorge Henrique da Costa Vides passou a infância na Maré, na Zona Norte do Rio, e começou a correr aos 17 anos. “É um pouco tarde para quem começa, mas deu tudo certo”, disse ele em entrevista para o site das Forças Armadas, onde é terceiro sargento. Em seis anos no esporte, ele já tinha conseguido atingir o índice olímpico. O primeiro contato do atleta com o esporte, porém, foi no futebol. Aos 16 anos, ele foi aprovado em um teste para atuar no meio campo da base do Fluminense, em Xerém, mas, incentivado por uma professora, disputou um torneio de atletismo, venceu e resolveu seguir no esporte. Jorge foi descoberto no programa de atletismo da Escola Municipal Silveira Sampaio, em Curicica, Zona Oeste do Rio, de onde saíram também os velocistas Derick Souza e Vitor Hugo Mourão, sob orientação do professor Paulo Servo, que coordenava o projeto e foi seu treinador. A primeira vez em que Jorge disputou uma Olimpíada foi na Rio 2016, quando ele e os atletas Ricardo de Souza, Vítor Hugo dos Santos e Bruno de Barros ficaram em sexto lugar no revezamento 4x100m. Na disputa dos 200m, ele não se classificou para as semifinais, e a prova foi vencida pelo jamaicano Usain Bolt.

Atrás de pipa com amigos

Thiago do Rosário André nasceu e cresceu em Belford Roxo. Ele começou a correr aos 14 anos de idade por influência de um amigo, que viu que o adolescente corria muito atrás de pipa e o incentivou a investir nesse talento. Ele chegou a participar das Olimpíadas da Baixada Fluminense, onde foi convidado a treinar. Em uma entrevista, certa vez, ele explicou: “Sou frenético por pipa, e meu amigo me falou que se eu corria tanto atrás de pipa poderia correr e competir”. Dito e feito! Em outra ocasião, para o jornal “O Estado de S. Paulo”, Thiago contou que a treinadora ofereceu 30 reais por mês para ele ir treinar, e ele aceitou. “Era o dinheiro da pipa”, disse ele. Na época, Thiago chegou a ficar preocupado, achando que os treinos poderiam atrapalhar a brincadeira, mas manteve o foco. Ainda quando morava em Belford Roxo, o atleta começou a treinar na Mangueira, na Zona Norte do Rio, até que, em 2013, aos 17 anos, procurou o treinador Adauto Domingues com o objetivo de ir treinar em um clube de São Paulo com o mesmo técnico de seu ídolo, Marílson dos Santos. Thiago estreou em Olimpíadas na Rio 2016, mas não chegou a se classificar para a final na disputa dos 1.500m e foi eliminado na primeira bateria.

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