Olimpíada: Queda para a Rússia no vôlei faz parte do jogo, mas traz autoconhecimento para o Brasil no ciclo de Paris-2024

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É cruel dizer que a seleção brasileira masculina de vôlei encontrou seu limite competitivo na derrota por três sets a um para o Comitê Olímpico Russo, na madrugada desta quinta-feira, que tirou os brasileiros da disputa pelo ouro. Também é um pouco injusto com a fortíssima França e a surpreendente Argentina (a adversária pelo bronze) dizer que a semifinal tratou-se de uma decisão antecipada. O fato que entrou em quadra nessa madrugada é o de que dois dos principais favoritos ao título mediram forças em um grande jogo, e o Brasil pode aproveitar a oportunidade para tirar valiosas lições para o ciclo olímpico de Paris-2024.

A Rússia sempre foi um adversário complicado para os brasileiros, uma escola de ritmo intenso e que sabe aproveitar o melhor das qualidades físicas de suas gerações. Nesta madrugada, o Brasil esbarrou em dois muros: o do incrível bloqueio russo e o do grande momento que vivem Volkov e Mikhaylov, os dois àses do time de Tuomas Sammelvuo. Já tinha sido assim na Liga das Nações, quando os rivais foram um dos dois únicos algozes na campanha do título, também com grande atuação de Mikhaylov. O oposto de 33 anos parece viver seu auge em sua quarta particpação nos Jogos Olímpicos.

As circunstâncias do jogo foram parecidas com o primeiro confronto com os russos — a derrota por 3 a 0 na primeira fase — e a virada por 3 a 2 sobre a Argentina. Com dificuldades para lidar com os saques adversários, o Brasil teve problemas para virar bolas, o que, naturalmente, abalou a confiança da equipe. A virada depois do 20 a 12 no terceiro set reflete bem as dificuldades impostas pelos russos aos brasileiros em todo o jogo.

Bruninho fez o possível para tentar contornar a prejudicada troca de passes brasileira, mas nenhuma das linhas de ataque vivia um dia espetacular como era preciso dado o adversário. Na rede, Lucão e Mauricio terminaram com 13 e 9 pontos, respectivamente, sendo 4 e 2 de bloqueio. Lucarelli, em rara noite ruim, fez 10, e Wallace, 11. O melhor pontuador do Brasil na madrugada foi Leal (18), mas os números foram insuficientes para parar os russos, que distribuíram 49 de seus 68 pontos de ataque no trio Mikhaylov (22), Kliuka (15) e Iakovlev (12).

Nem sempre será possível tirar forças para a virada como houve contra a Argentina na primeira fase, e as quebras de confiança que os russos impuseram tornaram tudo ainda mais dfícil. No duelo contra os hermanos, pelo bronze, o Brasil será novamente testado contra uma equipe de forte volume de jogo. Além de uma oportunidade de seguir levando medalhas para casa na modalidade, a equipe brasileira pode se conhecer ainda mais para o próximo ciclo olímpico.

Ciclo mais curto

Pela primeira vez em 17 anos fora de uma final olímpica, mas a três anos de Paris, não há terra arrasada. É preciso reforçar uma geração campeã, que venceu a Liga das Nações com muita autoridade há menos de dois meses, na Itália. Quando Wallace (MVP da Liga) e Bruninho estavam mal, o nível brasileiro caía. Os dois têm, respectivamente, 34 e 35 anos, e a tendência é que nomes mais jovens passem a ganhar mais minutos para acompanhá-los até os próximos Jogos, independente das suas presenças ou não. Cachopa e Douglas, que não tiveram tantos minutos em Tóquio, tendem a ganhar mais oportunidades.

Lucão, de 35, também já é dos mais experientes, enquanto Lucarelli, um dos jogadores que mais evoluiu desde a Rio-2016, tem 29 e deve chegar em 2024 com a maturidade de jogo em alta. Aos 32 anos, Leal também deve seguir.

Alvo de críticas na campanha em Tóquio, Thales foi prejudicado pela limitação da Olimpíada pela convocação de um único líbero. Melhor jogador de sua posição na Liga das Nações, teve o duro desafio de substituir o lendário Serginho Escadinha tendo características diferentes de jogo, que não encaixaram bem com alguns dos adversários do Brasil na campanha. Antes de Tóquio, quando alternou a posição com Maique, mais defensivo, a seleção brasileira parecia mais completa na função. Escolher o próximo líbero olímpico será uma das principais tarefas de Renan.

Ainda em busca do bronze, a seleção sai decepcionada por ficar fora da final, mas se conhecendo melhor. De um ciclo olímpico de exceção, paralisado e ampliado pela pandemia da Covid-19, entrará em outro, um ano menor. O Mundial de 2022 (na Rússia) e a Liga das Nações mostrarão o que sairá desse aprendizado.

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