Olimpíada de Tóquio 2021: o brasileiro que treinou em terreno baldio, superou covid e ficou em 4º no arremesso de peso

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Darlan Romani compete em Tóquio
Darlan Romani ficou em quarto lugar em Tóquio 2021

Superar os adversários talvez tenha sido a tarefa menos espinhosa de Darlan Romani até agora para chegar à final do arremesso de peso na Olimpíada de Tóquio.

Na madrugada de quinta-feira (05/08), o catarinense de 30 anos, que é o principal nome deste esporte no Brasil, ficou em quarto lugar na final, com a marca de 21,88m, apenas 59cm atrás do alcançado pelo medalhista de bronze. A prova ainda viu um novo recorde olímpico, do americano Ryan Crouser, que arremessou o peso a 23,30m de distância e levou o ouro.

Para chegar até a decisão olímpica, Darlan Romani precisou improvisar treinos em um terreno baldio, teve uma lesão provocada pelas condições ruins, passou por uma cirurgia e lutou contra a covid-19.

"Hoje é aniversário da minha esposa, e ela deve estar se acabando de chorar, ela sabe tudo que passamos esse ano", havia Romani em entrevista ao SporTV na terça-feira após se classificar para a final com a quarta melhor marca. "É difícil falar."

Treinos em terreno baldio

Darlan vinha tendo um bom no ciclo olímpico até 2019, com treinos fortes e resultados animadores.

"Tivemos uma ótima temporada, melhorando a cada ano, a cada treino. A gente chegou ao nível que queria chegar. Estávamos muito fortes, superbem, cumprindo metas, batendo marcas, cumprindo objetivos. Aí veio a pandemia e atrapalhou muito", disse ele ao jornal O Globo.

Em um primeiro momento, assim como para o resto do mundo, tudo ficou em suspenso na vida de Darlan.

Para retomar a preparação, ele aproveitou um terreno baldio perto de sua casa, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, com a ajuda de um pedreiro, que fez um platô de cimento sobre o chão de terra e grama para ele fazer os arremessos.

"Eu apoio e respeito a quarentena, por isso mesmo estamos aqui arrumando um cantinho para eu seguir os treinos", disse ele em uma publicação no Instagram. "Saúde em primeiro lugar sempre, vamos nos adaptar em casa como puder."

A pandemia também o impediu de continuar trabalhando com seu técnico neste ano, o cubano Justo Navarro, que precisou ir ao seu país em dezembro e não conseguiu voltar ao Brasil por causa da quarentena na ilha.

"A situação é difícil porque o olho do treinador faz toda a diferença", disse ele ao site da Confederação Brasileira de Atletismo.

Darlan Romani treina em terreno baldio
Sem acesso ao centro de treinamento, Darlan precisou improvisar

Lesão e covid

As condições ruins de treino cobraram um preço alto de Darlan, que desenvolveu uma hérnia de disco, passou por uma cirurgia e ficou parado por um mês e meio no início do ano para se recuperar e seis meses sem competir.

O atleta do clube Pinheiros teve ainda outro problema de saúde. Depois que a mãe e o irmão tiveram covid-19 — ambos foram internados na UTI por causa da gravidade da doença —, ele ficou doente em maio.

"Sou humano como qualquer outro, e aí eu fui ver minha família e acabei pegando covid também", contou ao programa Globo Esporte.

Ele teve de ficar parado, às vésperas dos Jogos, e isolado, para não contaminar a mulher e a filha.

Por causa da doença e da interrupção nos treinos, o atleta de 156kg e 1,88m perdeu 10kg em duas semanas.

Mas conseguiu se recuperar a tempo dos Jogos e chega agora à final embalado pelo bom desempenho na fase classificatória.

'Estou em busca de um sonho'

Darlan Romani compete em Tóquio
Darlan é o atual dono do recorde sul-americano

Esta é a segunda Olimpíada de Darlan, que ficou em quinto na Rio 2016. Na época, tornou-se o primeiro a chegar a uma final olímpica do arremesso de peso masculino em 80 anos — o último havia sido Antônio Pereira Lira, em 1936, em Berlim, na Alemanha.

Ele é decacampeão brasileiro. Foi o quarto melhor no Mundial de 2019 e campeão do Pan-americano de 2019. Sua melhor marca até hoje é de 22,61m, atingida em 2019. É o atual recordista sul-americano e o terceiro no ranking mundial de 2021.

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