Olimpíadas: Brasil conhece seus adversários no judô, e Rafael Silva escapa de Teddy Riner até a semifinal

·4 minuto de leitura

O Comitê Organizador das Olimpíadas de Tóquio realizou nesta quinta-feira o sorteio das chaves do torneio de judô. E a maioria dos brasileiros escaparam de pedreiras — exceto Eduardo Yudy, que irá enfrentar Sagi Muki (ISR), o melhor do mundo na categoria 81 kg. Já Rafael Silva, o Baby, que não irá enfrentar a lenda Teddy Riner, que chegou a ficar dez anos invicto, até a semifinal.

Veja os adversários dos brasileiros:

Eric Takabatake (-60 kg) enfrenta Sithisane (LAO)Daniel Cargnin (-66 kg) enfrenta Abdelmawgoud (EGY)Eduardo Barbosa (-73 kg) enfrenta Guillaume Chaine (FRA)Eduardo Yudy (-81 kg) enfrenta Sagi Muki (ISR)Rafael Macedo (-90 kg) enfrenta Bozbayev (KAZ)Rafael Buzacarini (-100 kg) enfrenta Toma Nikiforov (BEL)Rafael Silva (+100 kg) é byeGabriela Chibana (-48 kg) enfrenta Bonface (MAW)Larissa Pimenta (-52 kg) enfrenta A. Perenc (POL)Ketleyn Quadros (-63 kg) enfrenta C. David (HON)Maria Portela (-70 kg) enfrenta N. Shaheen (EOR)Mayra Aguiar (-78 kg) é bye Maria Suelen (+78 kg) é byeEquipes: Brasil é bye

Teddy Rine vive um caso à parte nestes Jogos Olímpicos. Ouro em Londres-2012 e na Rio-2016, o peso pesado francês não foi um dos cabeça de chave para Tóquio e causou o maior frisson antes do sorteio. O adversário será XXXXXXX.

O quase imbatível judoca não ficou entre os oito cabeça de chave porque pouco competiu neste ciclo olímpico, uma estratégia para entrar em forma até os Jogos. Com isso, poderia ficar em qualquer lugar da chave e atrapalhar a vida de diversos postulantes à medalha, inclusive enfrentando Baby na estreia.

Ao GLOBO, Rafael Silva admitiu que observava atentamente a colocação de Riner na chave, mas vê os Jogos como o momento mais oportuno para vencê-lo devido a pressão existente. Eles travam um dos maiores clássicos da categoria — exatamente pela quantidade de lutas entre eles.

— Nenhum atleta quer pegar ele [Riner] logo de cara na Olimpíada, mas é coisa da competição. Teddy sempre optou por fazer menos competições pensando nas preparações para os Mundiais. Depois parou de disputar os Mundias para focar na Olimpíada. Se há um momento para ganhar dele é agora, pois é onde ele está sofrendo a maior pressão do mundo — afirmou.

A medida de comparação, Baby entrou no tatame tem 18 lutas em 2021 e venceu 12. Riner entrou no tatame cinco vezes e venceu as cinco. Em 2020, o francês fez apenas três lutas e perdeu uma — a fatídica que muda o cenário para os Jogos Olímpicos.

Busca pelo recorde

Duas derrotas recentes não é motivo para preocupação para um atleta normal. Mas para Teddy Riner, que chegou a ficar mais de dez anos invicto, serve de motivação para os adversários. O francês foi derrotado em fevereiro de 2020, contra o japonês Kokoro Kageura, que não disputará os Jogos de Tóquio, em casa. Também ano passado, caiu novamente, desta vez diante de Ornais Joseph Terhec, durante o Campeonato Francês.

— Essa derrota ligou um alerta nele. Deve treinado e mudado algumas coisas no jogo para lutar em Tóquio. Acho que ele estará bem para lutar aqui. Teve uma derrota dentro do próprio país em uma competição por equipes. Isso quebra um tabu para a gente e faz acreditar que é possível. Fez bem para todo mundo na categoria — afirma Baby.

Disposto a manter a hegemonia nos Jogos Olímpicos, Riner aprimorou seus treinamentos e a preparação física, passou a trabalhar o aspecto mental e teve um acompanhamento nutricional que o fizeram perder cerca de 20 kg.

— Para ser campeão novamente em Tóquio, é preciso ser bom em todos os setores. Se eu quiser essa medalha, tenho que ser melhor que nos anos anteriores — disse Riner, em entrevista à AFP.

Riner, 10 vezes campeão mundial, o primeiro e único judoca a alcançar esse feito, encara a pressão para igualar o recorde do japonês Tadahiro Nomura, único judoca da história a conquistar três medalhas de ouro consecutivas em Jogos Olímpicos — Atlanta-96, Sydney-00 e Atenas-04 —, mas procura manter o equilíbrio.

— Definitivamente penso muito sobre isso. Mas preciso ter cuidado. O recorde não é a prioridade. Eu quero ganhar a medalha de ouro. Se eu ganhar, vou reservar um tempo para vê-lo (Nomura) e dizer que sei o quanto isso significa. Mas primeiro, eu preciso fazer isso por mim mesmo e ir o mais longe que puder para ser capaz de fazer isso — afirmou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos