Olimpíadas: Como o futebol feminino mudou no Brasil da Rio-2016 à estreia em Tóquio 2021

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RIO — Quando a seleção brasileira entrar em campo contra a China, na estreia dos Jogos Olímpicos, amanhã, às 5h (de Brasília), em Miyagi, a torcida pelo inédito ouro olímpico será um pouco diferente da última Olimpíada no Rio. A camisa 10 Marta, claro, continua sendo o grande nome do Brasil, mas outros números ganham a preferência do torcedor na esteira de um fenômeno recente: a identificação nacional via clube de coração.

O palmeirense Carlos Eduardo Britto é um bom exemplo. A atenção dele estará voltada para a camisa 16 de Bia Zaneratto. A atacante se tornou a jogadora favorita do paulista desde que passou a atuar no Brasileirão, no início desta temporada.

— É minha jogadora preferida do futebol feminino. É legal ver alguém do meu time e do interior de São Paulo, como eu, representando nosso país. Vou acordar às 5h da manhã para ver os jogos dela — afirma o analista de implantação, morador da cidade de Garça.

Carlos Eduardo é apenas um exemplo da nova realidade da modalidade no país, em que as jogadoras são conhecidas pelos nomes e carregam consigo um novo público para acompanhar a seleção. São inúmeros os motivos dessa nova torcida. Mas há um ponto de mudança definitivo: o ano de 2019, quando foi sediada a Copa do Mundo na França, com recordes de audiência dos jogos do Brasil.

Brasileirão mais forte

A relação de Carlos Eduardo com a modalidade começou justamente aí. Com a exigência da CBF e da Conmebol de que os clubes da elite teriam de manter equipes femininas para disputar os torneios masculinos organizados pelas entidades, o time de coração do analista reativou o projeto do futebol feminino, depois de sete anos de paralisação. O movimento foi seguido por todos os grandes clubes para se adequar às novas regras.

Daí em diante, veio a bola de neve. Para montar times — ainda que alguns sejam parcerias —, os clubes precisaram de mais investimentos na modalidade. Em consequência, elevou-se o nível da principal competição nacional. A convocação da técnica Pia Sundhage para Tóquio é um reflexo disso. Entre as 22 jogadoras convocadas pela sueca, 11 disputam o Brasileirão. Um aumento significativo em comparação ao elenco do Mundial de 2019, que tinha apenas cinco jogadoras em ação por clubes brasileiros, e Rio-2016, quando não havia nenhuma — na época, havia as atletas da seleção permanente, que eram emprestadas por alguns meses aos clubes classificados à fase final do torneio nacional.

O movimento de retorno de jogadoras com carreiras consolidadas ao futebol do país aponta o desenvolvimento do campeonato nos últimos anos. Na edição de 2016, o Brasileiro Feminino contou com 20 times, sendo sete clubes de camisa forte no masculino. A competição acontecia em apenas quatro meses.Hoje, são dez clubes tradicionais e seis meses de competição.

O sucesso da Copa do Mundo de 2019 provocou uma virada na audiência, em todas as plataformas, da modalidade. A transmissão dos jogos da seleção na TV aberta e fechada deu início a um boom. A Band fechou contrato com a CBF e passou um jogo por rodada da A1 e A2 em 2019. No ano passado, foi a primeira vez em que todos os jogos da primeira divisão foram transmitidos, seja em TV aberta (Band), internet (CBF via MyCujoo) e TV fechada (semifinais e finais pela ESPN). Desde 2019, a CBF também passa o Brasileiro sub-18.

Neste ano, a CBF anunciou a criação da terceira divisão do futebol feminino, que contará com 32 clubes a partir de 2022. Dessa forma, a modalidade passará a ter 64 agremiações em atividade no Brasileirão a partir da próxima temporada.

— O perfil das pessoas mudou. Já conhecem a modalidade, querem informações dos times. Não tem mais o debate de o porquê o futebol feminino não dá certo — diz Rafael Alves, que edita o site e as redes sociais do “Planeta Futebol Feminino. — O que vemos nas redes são os torcedores debatendo tática, o desempenho das atletas, algo que não se via há alguns anos. O palmeirense ou a palmeirense acham o máximo ver a Bia Zaneratto ver com a camisa da seleção. O são-paulino, que agora tem a Formiga, se identifica ainda mais com toda a história dela. O corintiano gosta de ver a Erika em ação.

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