Olimpíadas de Tóquio: de imagem de santo a tamborim e filtro de café, veja o que os jornalistas levam na mala

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Não são apenas os atletas que, além de muito treino, precisam de um pouquinho de sorte nas Olimpíadas. Os repórteres esportivos também contam com a ajuda de “amuletos” para encontrarem boas histórias durante a cobertura dos Jogos de Tóquio, que começam oficialmente em 23 de julho. Dentro da mala que levaram para o outro lado do mundo, estão desde lembranças da família, para quando a saudade apertar, a itens para dar um gás no trabalho (veja ao longo abaixo o que não faltou na bagagem de seis jornalistas da Globo).

— Confesso que costumo arrumar minha mala em cima da hora — conta Eric Faria, que já cobriu várias Olimpíadas e Copas do Mundo: — É engraçado porque, apesar de ser repórter há 24 anos e ter perdido a conta de quantas vezes viajei para fora, estou sentindo uma ansiedade diferente desta vez. Talvez pelo tempo que fiquei sem fazer grandes viagens e por tudo que está acontecendo.

O “tudo” ao qual o repórter se refere é a pandemia do coronavírus, que, além de adiar o maior evento esportivo do planeta em um ano, mudou sua dinâmica. Apesar de vacinados com as duas doses da vacina, os jornalistas seguirão um protocolo de segurança rígido no Japão, com direito a testes de saúde semanais, confinamento de três dias no hotel após o desembarque e proibição de uso de qualquer transporte público.

— Esta Olimpíada já é histórica. Ninguém sabe o que esperar, mas estamos indo de peito aberto para realizar um trabalho humano — empolga-se Carol Barcellos.

São Pedro e batuque juntos

Primeiro dos seis entrevistados a embarcar para Tóquio (o repórter viajou no último dia 29), Pedro Bassan levou muito além da experiência de outras Olimpíadas na bagagem. ''Tenho um ícone ortodoxo grego que ganhei nos Jogos de Atenas (em 2004) de um sacerdote. E a imagem é de São Pedro, que é meu nome. Eu o carrego comigo em toda viagem”, conta Bassan, que ainda atendeu um pedido de Carlos Gil, correspondente da Globo em Tóquio desde 2018: “Estou levando um tamborim e um agogô para o Carlos porque ele é meu parceiro no samba e está precisando de uns instrumentos lá. Ele que me pediu. A gente gosta muito de carnaval”. Mas se nem um batuque bem brasileiro espantar a saudade nos pouco mais de 40 dias longe da família... “Aí a gente senta e chora”, brinca o jornalista.

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Colar de São Jorge e medalha

Carol Barcellos não levou apenas um amuleto da sorte para o Japão: “Na mala, vão um colar de São Jorge e também uma medalhinha que comprei em Svalbard, na Noruega, antes de correr a maratona do Polo Norte. É uma biju simples, mas diz: ‘O melhor ainda está por vir’. Carrego junto com o pingente de uma bonequinha”. A boneca representa a filha, Júlia, de 9 anos, que estava atenta a tudo que a mãe falava durante esta entrevista por telefone: “Eu viajo para longe desde quando ela era pequena, mas, desta vez, a Ju entende tudo. E argumenta comigo também. Ela não tem muita paciência para me ver na TV e prefere assistir ao Gloob ou à Netflix (risos)”.

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Audiência dos filhos no Brasil e tênis de corrida

Eric Faria pode arrumar a bagagem em cima da hora, mas ele nunca se esquece de levar seu tênis de corrida. “Sempre dou um jeito de tirar um tempo para correr. A atividade me relaxa e me ajuda a conhecer a cidade. Foi assim que, nos últimos anos, conheci becos onde os turistas não vão. É no momento da corrida que muitas pautas surgem na cabeça”, conta o jornalista encarregado de acompanhar a seleção masculina de futebol no Japão. E enquanto segue os craques, Eric terá sua própria torcida por aqui: “Meus filhos (Bernardo, de 14 anos, e Isabela, de 10) gostam dos Jogos. Eles têm abordado o assunto na escola e chegaram com um monte de curiosidades para mim. Como vão estar de férias durante a competição, vão assistir com mais calma. Acho que o fato de eu estar lá vai ser um motivo a mais para eles se interessarem”.

Desenhos espantam saudade

Estreante em Olimpíadas, Lizandra Trindade não segura a emoção ao pensar nos 39 dias que ficará longe da filha de 5 anos: “Desde que soubemos que eu cobriria os Jogos Olímpicos, Marina ficou triste. Nós somos grudadas, e ela tem ideia de que o Japão é longe. Apesar disso, conversamos e fiz uma organização para as avós ficarem mais próximas dela na minha ausência”. São lembranças da pequena que foram na mala da repórter, que seguirá a seleção feminina de futebol: “São duas fotos dela e um desenho. Ela me faz um desses todos os dias”.

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Touca para o cabelo e encontro com a namorada. Será?

Diego Moraes, que também luta karatê e quase conseguiu uma vaga nos Jogos Olímpicos, viajou ontem com acessórios para treinar nos momentos de folga e com uma touca de cetim difusora para secar o cabelo. Mas o objeto mais valioso na mala do repórter é um amuleto que ganhou da namorada, que é atleta: “É um bichinho típico do Peru, que traz boa sorte. Ela me deu depois de disputar os Jogos Pan-americanos em Lima. Ele está sempre comigo quando vou trabalhar”. Melhor que levar uma escultura dada pela amada, no entanto, é encontrá-la do outro lado do mundo. Aline Silva vai representar o Brasil no wrestling e, por isso, pode esbarrar com o amado. “Até então, a gente não vai poder se ver. Mas confesso que estamos na expectativa de nos encontrarmos, sim”, entrega Diego.

Cafézinho para ficar ligado

Ao conversar com o EXTRA por telefone, Kiko Menezes estava certo do que levaria: “Um pacotinho de café bem brasileiro e um filtrinho portátil de pano. Nos primeiros dias no Japão (ele embarcou ontem), vou precisar me acostumar com o fuso horário, e o café vai me fazer companhia”. Ao ser questionado se o país permite o transporte de alimentos na bagagem e não ter certeza da resposta, no entanto, o repórter reconsiderou: “Quer saber? Vou levar só o filtro e vou experimentar o café japonês. É isso aí”. Com ou sem café, Kiko vai cobrir esportes como o skate, que estreia nos Jogos Olímpicos junto com o surfe, a escalada olímpica, o karatê e o beisebol. “Se eu fosse escolher um esporte para acompanhar, escolheria o skate. Que sorte a minha!”, celebra ele.

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