Olimpíada começa com silêncio em estádio e preocupação com urso

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Yukiko Ueno dá o primeiro arremesso das Olimpíadas em Fukushima. Foto: Yuichi Masuda/Getty Images
Yukiko Ueno dá o primeiro arremesso das Olimpíadas em Fukushima. Foto: Yuichi Masuda/Getty Images

Do Japão

Quando a arremessadora Yukiko Ueno lançou pela primeira vez a bola na direção da rebatedora Michelle Cox, alguns aplausos foram ouvidos no Azuma Beisebol Stadium. Bem poucos e protocolares. Não deveria ser assim.

A ideia original era que as 14 mil cadeiras do local estivessem ocupadas para presenciar um momento histórico. A Olimpíada no Japão começou por Fukushima, região em que há 10 anos, aconteceu um dos maiores acidentes nucleares da história.

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As palmas foram de alguns dirigentes da Federação Japonesa de Softball. Fora do estádio, a maior preocupação do rígido esquema de segurança não era em conter qualquer espectador que quisesse assistir ao jogo, vencido pelo Japão por 8 a 1 sobre a Austrália. Os moradores estão irritados porque consideram que o governo nacional se aproveitou da imagem de Fukushima para vender uma boa imagem dos Jogos e não investiram o bastante na área.

Mas ninguém tentaria entrar na arena.

“Há um urso andando por aqui. Faz dois dias que estamos tentando encontrá-lo”, disse um dos seguranças da Olimpíada para o Yahoo Brasil.

Ele não soube explicar o tamanho do animal que, temia-se, poderia ter se escondido dentro do estádio durante a noite. Apesar das buscas em todos os lugares, o invasor não foi encontrado. E nem deu o ar da graça durante a partida.

Ursos não são raros na região, mas se tornaram mais comuns após o acidente nuclear quando, após terremoto e tsunami, ondas de 14 metros invadiram o complexo nuclear de Fukushima, fizeram três reatores entrarem em colapso e liberarem material radioativo. Cerca de 20 mil pessoas morreram e 40 mil ainda não puderam voltar para casa.

O animal teve mais facilidade para acessar o estádio, se é que entrou, do que a imprensa. Na caminhada de cerca de 800 metros entre a primeira barreira até o estádio, foi preciso mostrar a credencial três vezes, fazer repetidas medições de temperatura, sempre acompanhado por seguranças, alguns deles em motos.

Arena de Fukushima vazia para o primeiro jogo das Olimpíadas de 2021: Austrália x Japão no softbol. Foto: Yuichi Masuda/Getty Images
Arena de Fukushima vazia para o primeiro jogo das Olimpíadas de 2021: Austrália x Japão no softbol. Foto: Yuichi Masuda/Getty Images

A todo momento, um voluntário apontava para recipientes de álcool, a pedir que os visitantes higienizassem as mãos.

Alguns jornalistas perderam o início da partida, que aconteceu sob um silêncio sepulcral, a não ser pelos gritos das atletas japonesas, que venceram com facilidade.

“Quanto foi o jogo?”, questionaram crianças, em japonês, para repórteres que deixavam a arena. Um local serviu de tradutor. Ao ouvirem que o time casa venceu, elas bateram palmas e comemoraram, mais entusiasmadas que os dirigentes que testemunharam o primeiro evento olímpico.

O Azuma Baseball Stadium faz parte do Azuma Sports Park, um complexo esportivo que oferece aulas de esportes para jovens e área verde para os moradores da cidade terem momentos de lazer.

Além do softball, Fukushima será o local do beisebol, esporte número 1 do Japão.

Fora do parque, Hideshi Shioki observava o movimento de carros e testemunhas do início da Olimpíada. Dono de uma loja de conveniência, ele acompanhou a partida por uma pequena televisão que colocou em cima do balcão.

“Eu não acho que deveria estar acontecendo Olimpíada”, explicou, com um inglês vacilante. “Mas começou, é um fato. Se é assim, fico feliz que o Japão venceu. Espero que ganhem ouro no beisebol e no softball. Pena que ninguém vai ver ao vivo.”

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